Ocorreu na ultima sexta feira dia 17 de junho o evento de apresentação/lançamento do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luís Azcona (IDA), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 2). O evento contou com a participação de membros da diretoria do Instituto, de agentes do poder público e de personalidades importantes na história e na fundação do IDA. Com uma trajetória de oito anos de luta na defesa dos direitos de pessoas em situação de vulnerabilidade, sobre tudo na região do Marajó no Pará. O Instituto tem como um de seus objetivos dar visibilidade às mazelas sociais sofridas pelas populações mais afetadas por calamidades sociais, e deste modo, construir caminhos de superação destas realidades, possibilitando uma vida mais digna e feliz para este povo.

Todo o momento foi conduzido pelo influente jornalista paraense Fabiano Vilela, que após dar as boas vindas ao presentes, convidou personalidades importantes desta história  para compor a mesa do evento. A primeira a ser acolhida foi Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, seguida de Mary Lucia Cohen e por fim o homenageado do dia Dom José Luís Azcona, que dá nome ao Instituto. A presidenta do Instituto Marie Henriqueta enfatizou em sua fala de abertura do evento que o Instituto IDA  “não será mais um instituto que nasce na Amazônia, pois o nosso tesouro é cuidar da vida das pessoas“, e continuou reafirmando que “é a partir do olhar do povo que as demandas do Instituto irão se estabelecer“. Ou seja, não é uma ajuda que vem de cima para baixo, mas a própria participação das pessoas envolvidas é que irá direcionar o trabalho.

Dando prosseguimento à solenidade de abertura, Mary Lucia Cohen vice diretora do Instituto argumentou em sua fala que, assim como, Dom Phillips e Bruno Pereira “outras lideranças tombaram na Amazônia“, Mary lembrou o Martírio de Dorothy e Chico Mendes, lembrou ainda do assassinato de inúmeras lideranças indígenas como Paulo Paulino Guajajara. Mary Agradeceu ao apoio do seu marido que assumiu está luta junto com ela o que a anima nesta caminhada. Outra personalidade importante nesta história tem uma trajetória mais recente, porém,  extremamente comprometida com a luta  do povo marajoara, em seu momento de fala Dom Evaristo Spingler Bispo da Prelazia do Marajó, ressaltou “a importância simbólica de ter duas crianças marajoaras compondo a mesa“. Visto que a Missão do Instituto é, de fato, o cuidado e a defesa dos direitos das pessoas, mas sobre tudo, das crianças e adolescentes que sofrem de forma intensa com a violação de seus direitos num ambiente complexo como o Marajó.

Dom Evaristo reafirmou o seu comprometimento na luta contra a violação de direitos, também através da parceria entre a Comissão Eclesial Pastoral Especial de Combate ao Tráfico Humano (CEPECTH), da qual é presidente. O Marajó é um lugar belíssimo, mas que precisa de todo o apoio para que as populações possa melhorar sua qualidade de vida através, sobre tudo, da garantia de seus direitos, como enfatizou. Chegado o momento da fala de Dom Azcona bispo emérito do Marajó, este destacou os momentos difíceis que teve de enfrentar em sua vida diante das ameaças de morte devido sua luta na defesa de direitos humanos, sobre tudo na região do Marajó. Dom Azcona explicou que somente através da fé e da confiança no Espírito de Deus é que foi possível enfrentar e superar tais momentos.

eu sou covarde, tenho medo como a maioria das pessoas e foi na confiança e na fé que tenho no Espírito Santo que tive forças para enfrentar, diante da morte, os meus medos….” . Argumentou e prosseguiu, ” haverão momentos que seremos desafiados a entregar nossa vida pela causa, mas se não nos apegarmos ao exemplo de Jesus Cristo na cruz“, será difícil enfrentar e vencer, afirmou! Dom Azcona agradeceu o testemunho e a dedicação de Marie Henriqueta e parabenizou toda a diretoria do Instituto, desejando força e coragem para enfrentar aos desafios destas lutas. o Jornalista Fabiano Vilela deu prosseguimento a programação convidando Vanderlei Rodrigues para compartilhar um pouco de sua experiência com os presentes.

Vanderlei é um jovem de 18 anos que é assistido pelas ações do Instituto desde seus 11 anos de idade. Com uma fala tímida e emocionada ele relatou a importância do apoio e dos cuidados com que o Instituto, através de Marie Heriqueta, tiveram em sua vida. “Muitas vezes tive que parar os estudos por conta da fome.…”, “já passei por muita coisa na vida, mas a Irmã me ajudou a ver que não preciso fazer nada de errado, cometer nenhum crime por causa das minhas condições…“, “a Irmã é um anjo na minha vida!“, exclamou Vanderlei.

Uma partilha que emocionou a todas e todos os presentes, que não puderam conter-se em oferecer palavras de apoio e agradecimentos ao trabalho desenvolvido pela diretoria do Instituto e seus parceiros. O evento de lançamento do Instituto Dom Azcona foi abrilhantado com a presença e a fala de tantas pessoas especiais, que fazem parte desta história e que reiteraram o compromisso de apoiar este trabalho. É importante lembrar que este momento simbólico é de extrema importância para a vida das pessoas em situações de vulnerabilidade social, sobre tudo deste lugar tão especial que é o Marajó. No entanto, são oito anos de trajetória e mais de dois anos de luta para conseguir fundar este Instituto, que irá continuar a favorecer a garantia de direitos e uma qualidade de vida melhor, mais digna e mais feliz para estas e outras famílias.

Convidamos a todas e todos a unir nossas forças e colaborar com estes processos tão delicados, a nos fortalecermos nesta luta tão difícil, sobre tudo na atual conjuntura deste país, que parece estar cada vez mais injusto e violento. “Não deixemo-nos roubar a esperança“, diz o Papa Francisco, e é nesta energia potente de confiança que é alimentada pelo Espírito Santo, que reiteramos o nosso compromisso com esta causa, a de ouvir e cuidar da vida dos invisíveis.

 

Por Renan Rosário, PASCOM Regional Norte 2