por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2 da CNBB

Durante o Angelus deste domingo, 12 de dezembro, em uma mensagem que ressoou com a alegria do Terceiro Domingo do Advento — o domingo Gaudete, o Papa Leão XIV ofereceu à Igreja uma dupla exortação celebrar a esperança que se aproxima e, ao mesmo tempo, manter o olhar atento e ativo no mundo, espelhando o testemunho dos novos beatos e clamando pelo fim da violência.

A Alegria que Vem da Prisão da Espera

A reflexão central do Santo Padre centrou-se no Evangelho que apresenta João Batista na prisão. Mesmo acorrentado, João se torna um “sinal de que a profecia, mesmo em grilhões, permanece uma voz livre em busca de verdade e justiça”. Ao questionar Jesus sobre Sua identidade, o Batista, e por extensão a humanidade, busca a confirmação de que o Cristo é o Salvador prometido.

A resposta de Jesus, segundo o Papa, é dada através de Suas ações: os cegos veem, os mudos falam, os leprosos são curados. “Este é o Evangelho de Jesus, a boa notícia anunciada aos pobres: quando Deus vem ao mundo, Ele se manifesta!”, declarou Leão XIV. A Palavra de vida liberta do mal e da morte, chamando os fiéis a unir a espera do Salvador com a atenção ao que Deus já está realizando no mundo, culminando no convite: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4).

O Testemunho Corajoso dos Mártires

Em seguida, após o Angelus, o Papa honrou aqueles que viveram essa fé até o extremo. Foram celebradas duas cerimônias de beatificação no dia anterior: em Jaén, Espanha, com 62 companheiros mortos por ódio à fé durante a perseguição religiosa de 1936-38; e em Paris, França, com 48 companheiros, vítimas da ocupação nazista entre 1944-45.

O Pontífice louvou esses mártires como “corajosos testemunhas do Evangelho” que permaneceram fiéis ao seu povo e à Igreja, mesmo sob a perseguição.

Apelo Urgente pela Paz na África

Em um contraste pungente com a alegria da liturgia e a memória dos mártires, o Papa Leão XIV expressou “viva preocupação” com a retomada dos confrontos na parte oriental da República Democrática do Congo. Ele exortou firmemente todas as partes em conflito a cessarem a violência e a buscarem um diálogo construtivo dentro dos processos de paz existentes.

A mensagem papal, ao final, saudou peregrinos de diversas partes do mundo — da Coreia do Sul à Eslováquia, passando por Belo Horizonte e Zagreb —, lembrando a todos que a alegria do Advento deve se traduzir em atenção ao irmão sofredor e na promoção da paz, seguindo o exemplo daqueles que, como João Batista, não calaram a verdade, e daqueles que, como os novos beatos, deram a vida por ela.

Leia a mensagem do Papa Leão XIV, abaixo:

ANGELUS

Piazza San Pietro
III Domenica di Avvento, 14 dicembre 2025

“Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

O Evangelho de hoje nos faz visitar João Batista na prisão, que se encontra detido por causa de sua pregação (cf. Mt 14,3-5). Apesar disso, ele não perde a esperança, tornando-se para nós um sinal de que a profecia, mesmo acorrentada, permanece uma voz livre em busca de verdade e justiça.

De fato, da prisão, João Batista ouve «falar das obras de Cristo» (Mt 11,2), que são diferentes daquelas que ele esperava. E então envia para perguntar-Lhe: «És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?» (v. 3). Quem busca verdade e justiça, quem espera liberdade e paz, interroga Jesus. Ele é de fato o Messias, ou seja, o Salvador prometido por Deus pela boca dos profetas?

A resposta de Jesus direciona o olhar para aqueles que Ele amou e serviu. São eles: os últimos, os pobres, os doentes que falam por Ele. Cristo anuncia quem é através do que faz. E o que Ele faz é sinal de salvação para todos nós. De fato, quando se encontra com Jesus, a vida sem luz, sem palavra e sem sabor reencontra o sentido: os cegos veem, os mudos falam, os surdos ouvem. A imagem de Deus, desfigurada pela lepra, readquire integridade e saúde. Até os mortos, totalmente insensíveis, voltam à vida (cf. v. 5). Este é o Evangelho de Jesus, a boa notícia anunciada aos pobres: quando Deus vem ao mundo, Ele se manifesta!

A palavra de Jesus nos liberta da prisão do desânimo e do sofrimento: toda profecia encontra Nele o cumprimento esperado. É Cristo, de fato, quem abre os olhos do homem para a glória de Deus. Ele dá voz aos oprimidos, aos quais a violência e o ódio tiraram a voz; Ele vence a ideologia, que torna surdos à verdade; Ele cura das aparências que deformam o corpo.

O Verbo da vida nos redime assim do mal, que leva o coração à morte. Por isso, como discípulos do Senhor, neste tempo de Advento somos chamados a unir a espera do Salvador com a atenção ao que Deus faz no mundo. Então poderemos experimentar a alegria da liberdade que encontra seu Salvador: «Gaudete in Domino semper – Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fl 4,4). É precisamente com este convite que se abre a Santa Missa de hoje, terceiro domingo do Advento, chamado por isso de domingo Gaudete. Alegremo-nos, pois, porque Jesus é a nossa esperança, sobretudo na hora da provação, quando a vida parece perder o sentido e tudo nos parece mais escuro, nos faltam as palavras e lutamos para ouvir o próximo.

A Virgem Maria, modelo de espera, de atenção e de alegria, nos ajude a ser imitadores da obra de seu Filho, compartilhando com os pobres o pão e o Evangelho.

Após o Angelus

Caros irmãos e irmãs, bom domingo!

Ontem, em Jaén, na Espanha, foram beatificados o sacerdote Emanuele Izquierdo e cinquenta e oito Companheiros, juntamente com o sacerdote Antonio Montañés Chiquero e sessenta e quatro Companheiros, mortos por ódio à fé na perseguição religiosa dos anos 1936-38. E sempre ontem, em Paris, foram beatificados Raymond Cayré, sacerdote, Gérard-Martin Cendrier, da Ordem dos Frades Menores, Roger Vallé, seminarista, Jean Mestre, leigo, e quarenta e seis Companheiros, mortos por ódio à fé nos anos 1944-45 durante a ocupação nazista. Louvemos o Senhor por estes mártires, corajosos testemunhas do Evangelho, perseguidos e mortos por terem permanecido ao lado de seu povo e fiéis à Igreja!

Acompanho com viva preocupação a retomada dos confrontos na parte oriental da República Democrática do Congo. Enquanto expresso minha proximidade com a população, exorto as partes em conflito a cessar toda forma de violência e a buscar um diálogo construtivo, no respeito aos processos de paz em curso.

Saúdo com afeto todos vocês, romanos e peregrinos da Itália e de outras partes do mundo, em particular os fiéis de Belo Horizonte, Zagreb, Split e Copenhague; assim como aqueles vindos da Coreia do Sul, da Tanzânia e da Eslováquia. Saúdo os grupos vindos de Mestre, Biancavilla e Bussi sul Tirino; os ex-alunos da Associação Mornese Itália, a Orquestra Filarmônica da Puglia, a Fundação Oasi Nazareth de Corato, os jovens do Oratório Salesiano de Alcamo e os crismandos da Paróquia São Pio de Pietrelcina em Roma.

Desejo a todos um bom domingo.”