por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

De hoje até 24 de abril, o episcopado brasileiro se reúne no Santuário Nacional para definir as novas diretrizes da Igreja e fortalecer a missão evangelizadora no país.

Teve início nesta quarta-feira (15), no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a ‘62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)’. O encontro reúne bispos de todas as regiões do país para momentos de profunda convivência, oração e, sobretudo, definições estratégicas para a Igreja no Brasil. O tema central desta edição é a apreciação e votação das novas ‘Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE)’.

A Assembleia Geral é o órgão supremo da CNBB e, segundo seus estatutos, representa a maior expressão da colegialidade, comunhão e corresponsabilidade dos bispos. Mais do que um encontro administrativo, trata-se de um esforço conjunto para promover o bem do Povo de Deus e responder aos desafios pastorais e sociais contemporâneos à luz do Evangelho.

Os bispos do Regional Norte 2, que compreende os estados do Pará e do Amapá, marcam presença ativa na 62ª AGO. A delegação, que leva as vozes e as realidades da Amazônia para o centro das discussões nacionais, é composta por Dom Irineu Roman, arcebispo de Santarém e presidente do Regional Norte 2; Dom José Maria Chaves dos Reis, bispo da Diocese de Abaetetuba e vice-presidente do Regional Norte 2; Antonio de Assis Ribeiro, bispo de Macapá e secretário do Regional Norte 2, Dom Bernardo Johannes Bahlmann, bispo da Diocese de Óbidos; Dom Ivanildo Oliveira Almeida, bispo de Cametá; Dom Jesús María López Mauleón, bispo da Prelazia do Alto Xingu-Tucumã; Dom João Muniz Alvez, bispo da Diocese de Xingu Altamira; Dom Jose Ionilton de Oliveira, bispo da Prelazia do Marajó; Dom Julio Endi Akamine, arcebispo da Arquidiocese de Belém; Dom Paulo Andreolli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém; Dom Raimundo Possidônio Correia da Mata, bispo da Diocese de Bragança; Dom Vital Corbellini, bispo da Diocese de Marabá e Dom Wilmar Santin, bispo da Prelazia de Itaituba. Representando os bispos eméritos estão presentes Dom Alberto Taveira Corrêa, da Arquidiocese de Belém, Dom Carlos Verzeletti, da Diocese de Castanhal e Dom Erwin Krauller, da Diocese de Xingu Altamira. Acompanhando-os, a secretária executiva do regional Cristiane Araújo.

A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo padre Arnaldo Rodrigues, assessor de comunicação da CNBB, que destacou a necessidade de a Igreja ser uma “presença profética, samaritana e sinodal” em um tempo marcado por rápidas transformações culturais, sociais e digitais. Em um país com 497 bispos (324 em exercício e 173 eméritos), a presença de 373 inscritos nesta Assembleia reforça o espírito de unidade nacional.

A mesa de honra contou com a presidência da CNBB, incluindo o Núncio Apostólico no Brasil Dom Giambattista Diquattro,  o anfitrião, presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da conferência; Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente, Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar da arquidiocese de Brasília e secretário geral da CNBB; o arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, Dom Orlando Brandes, o arcebispo nomeado de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva; o reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padre Eduardo Catalfo; e, o prefeito da cidade de Aparecida, José Luiz Rodrigues.

O presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, iniciou seu discurso saudando com alegria os bispos reunidos e destacando o valor do encontro fraterno que marca a Assembleia Geral. Em seu pronunciamento, agradeceu de modo especial ao Santuário Nacional de Aparecida e a todos os colaboradores envolvidos na organização, desde as equipes técnicas até os serviços mais simples, ressaltando que o êxito dos trabalhos é fruto do esforço coletivo. O arcebispo também convidou os participantes a um instante de silêncio em memória do Papa Francisco, falecido em 2025, recordando a importância histórica de seu pontificado e a riqueza de seus documentos, que marcaram a vida da Igreja e inspiraram a missão evangelizadora em diversas partes do mundo.

Em tom de unidade e responsabilidade pastoral, Dom Jaime Spengler manifestou gratidão pelo ministério do Papa Leão XIV e reafirmou a comunhão da Igreja no Brasil com o Santo Padre, especialmente em um contexto internacional marcado por tensões e conflitos. Ao lembrar que a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho e promover pontes de paz e reconciliação, destacou ainda que a credibilidade da Igreja na sociedade brasileira exige compromisso firme com a defesa da vida, sobretudo dos mais vulneráveis, e com a promoção da verdade e da transparência, particularmente em um ano eleitoral. Concluindo, ressaltou que a Assembleia Geral é a maior expressão da comunhão e corresponsabilidade dos bispos e desejou que os dias de trabalho fossem vividos em espírito de oração, fraternidade e esperança, produzindo frutos para a missão da Igreja no Brasil.

Em mensagem dirigida aos bispos do Brasil, o Papa Leão XIV saudou os participantes com a alegria pascal e recordou o chamado do Cristo Ressuscitado à paz, destacando a urgência de que líderes mundiais busquem soluções pacíficas diante dos conflitos armados que marcam o cenário atual. O Pontífice ressaltou que a verdadeira paz vai além da ausência de guerras, nascendo do reconhecimento da dignidade do outro e da consciência de que todos são irmãos, criados à imagem e semelhança de Deus e iguais em direitos, deveres e dignidade.

Em tom de encorajamento pastoral, o Papa manifestou o desejo de que os trabalhos da Assembleia ocorram em clima de unidade, fé e comunhão, contribuindo para a formulação de diretrizes que fortaleçam a ação evangelizadora da Igreja no Brasil nos próximos anos. Ele também destacou a importância do diálogo com as autoridades civis, especialmente no contexto das comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, confiando os bispos à proteção de Nossa Senhora Aparecida e concedendo-lhes a Bênção Apostólica como sinal de esperança e compromisso com a paz. (a mensagem na integra, pode ser lida ao final desta matéria)

Ao longo dos próximos dez dias, os bispos mergulharão em debates que buscam renovar a esperança do povo brasileiro, fortalecendo a convicção de uma Igreja que serve com alegria e verdade.

O presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, em sua vídeo-mensagem, manifestou profunda solidariedade ao Papa Leão XIV, rechaçando ataques de setores poderosos e destacando o papel do Pontífice como defensor da paz e dos oprimidos. O presidente reafirmou sua admiração pela trajetória histórica da CNBB na linha de frente da democracia brasileira, relembrando a atuação decisiva da instituição no enfrentamento à ditadura militar e no apoio às lutas dos trabalhadores urbanos e rurais. Em um momento de forte reverência, Lula homenageou o legado de bispos emblemáticos como Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Luciano Mendes e Dom Pedro Casaldáliga, cujas vidas foram dedicadas à proteção dos excluídos.

Ao destacar os 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, o chefe do Executivo enfatizou a convergência entre as políticas públicas de inclusão e a missão social da Igreja, citando a sinergia entre um dos programas de governo e o tema atual Campanha da Fraternidade sobre moradia. O presidente reiterou, ainda, o compromisso do governo federal com o combate à fome e às desigualdades, reafirmando que a defesa da dignidade humana deve inspirar a relação entre o Estado e a CNBB. O presidente concluiu reafirmando o respeito ao Estado laico e à plena liberdade religiosa, posicionando a instituição como uma aliada fundamental na construção de um país mais justo e fraterno.

Após os discursos foi feito memória às Assembleias anteriores desde 2022, quando na 59ª AG CNN os bispos apresentaram um cronograma e convidaram o Povo de Deus a participar do processo de criação das novas Diretrizes. De lá para cá, os grupos de trabalham refletiram sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais, como aconteceu em 2023, quando os desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial foram debatidos.

Em 2024, o processo de elaboração das Diretrizes, aprovado pelo Papa Francisco, que externou sua alegria pelo trabalho realizado, sistematizou as contribuições recebidas das dioceses de todo o Brasil, por meio de uma metodologia usada no Sínodo, a ‘Conversa no Espírito’, que buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes.

Até o próximo dia 24, os bispos do Brasil estarão reunidos para trabalhar não apenas o tema central, os bispos debaterão três temas prioritários, entre os quais o relatório da Presidência da CNBB, e 20 temas diversos, 4 mensagens e 10 comunicações.

Entre os assuntos na pauta estão a ‘A análise de conjuntura social e eclesial no Brasil’; o ‘Processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade no país’; as ‘Aprovações de textos litúrgicos’; as ‘As Campanhas da CNBB’; a ‘Tutela de menores e adultos vulneráveis’; o ‘O Congresso Americano Missionário (CAM 7), previsto para 2029′; o ‘Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé’; a ‘Atualização do documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85 CNBB)’, e o ‘19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027′.

A agenda do primeiro dia será fechada com uma pregação de Dom Armando Bucciol, e às 18h a missa de abertura, presidida pelo cardeal dom Jaime Spengler,  no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com a participação de todos os participantes da 62ª Assembleia Geral Ordinária da CNBB.

5.964-26-Anexo-Mensagem Papa Leao XI V 62AGO CNBB

LEIA TAMBEM (clique no titulo para abrir a matéria):

1. BISPOS DO BRASIL SE REÚNEM EM APARECIDA PARA A 62ª ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA CNBB

2. ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB DEVE VOLTAR NOVAS DIRETRIZES APÓS PERCURSO SINODAL MARCADO POR ESCUTA E COMUNHÃO

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