por Dom Paulo Andreolli, SX
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém

Caros leitores, encerrando hoje o Tempo do Natal, a Igreja celebra a Festa do Batismo do Senhor, marco que inaugura a vida pública de Jesus. O Evangelho de Mateus (Mt 3,13-17), apresenta Jesus aproximando-se de João Batista no rio Jordão para ser batizado, num gesto de profunda humildade e solidariedade com a humanidade. Ao sair das águas, os céus se abrem, o Espírito Santo desce como pomba e a voz do Pai revela: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

Para nós cristãos, a festa é também convite à memória do próprio batismo. Pelo sacramento, cada fiel é chamado a viver como filho e filha amados de Deus, comprometidos com o Evangelho no cotidiano. Em um mundo marcado por tantos desafios sociais e espirituais, o Batismo do Senhor reacende a responsabilidade de testemunhar a fé com atitudes concretas de solidariedade, serviço e esperança.

A liturgia deste domingo reporta-nos assim à pessoa de Jesus, e desde a Primeira Leitura, o profeta Isaías já afirma: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações” (Is 42,1).  Esse versículo se liga significativamente às palavras do Santo Evangelho no que se refere à voz que vem do céu, após Jesus ser batizado por João Batista, de que Ele é o Filho amado de Deus. Na verdade, aqui não se trata apenas de fazer referência ao Mestre Jesus, mas principalmente, mostrar que Ele é o Messias verdadeiro, esperado desde muito tempo. E quando chegou a “plenitude dos tempos”, se encarnou e veio habitar entre nós. E com o seu batismo, veio nos mostrar que é um Deus-humano-divino.

É importante destacar que o próprio salmista, mesmo que de forma indireta, menciona a figura de Cristo, quando diz: “Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo” (Sl 28/29). Na Segunda Leitura, dos Atos dos Apóstolos, Pedro, tomando a palavra, apresenta Jesus como ungido de Deus: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” (At 10, 37-38). O apóstolo conclui fazendo referência à missão de Jesus e ressalta que Deus estava sempre com Ele.

No Evangelho, é muito interessante perceber nas palavras do profeta João Batista como ele fica surpreso com a atitude de Jesus. Por isso, protestou e disse: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, respondeu-lhe: Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça” (Mt 3, 13b-14a). E assim se fez, Jesus de Nazaré foi batizado por João, no Jordão. E pela força do Espírito Santo, iniciou sua missão!

Nesse sentido, vale aqui mencionar as palavras de Padre Adroaldo Palaoro: “Com o seu Batismo, Jesus ‘começa algo novo’, um movimento de vida, fora das estruturas religiosas de seu tempo. É a primeira coisa que os evangelistas deixam claro. Todo o anterior pertence ao passado. Jesus é o começo de um caminho novo e, com uma presença inconfundível, reacende a esperança nas pessoas, sobretudo naquelas mais excluídas”. Aqui está a marca do nosso Divino Mestre, Ele, a partir do seu batismo, inaugurou um jeito novo de anunciar: mostrar a face de um Deus humano, justo, compassivo, misericordioso.

Também nós, por meio do batismo que recebemos, devemos fazer o que nosso Mestre falou, mostrou e fez. Não é à toa que se diz, “a missão que é de Jesus, agora é nossa!” E ela inicia-se pelo nosso batismo. Sendo assim, com o batismo de Jesus, nós também somos chamados a viver o nosso batismo. Afinal, somos ou não somos seus seguidores?  E se o somos devemos dar continuidade ao seu Projeto de vida!

Caros leitores, esta celebração recorda que, no batismo, Jesus assume plenamente a missão de Servo, aproximando-se dos pecadores e apontando um caminho de conversão, justiça e amor. Ao mesmo tempo, a manifestação trinitária revela sua identidade e confirma o projeto de salvação de Deus para todos.

Assim, a liturgia desta semana não apenas conclui o ciclo natalino, mas lança os fiéis ao início do caminho missionário, lembrando que, como Jesus, todos são enviados a transformar a realidade à luz do amor de Deus. Vivamos com fé nossa vocação batismal!

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