
por Vívian Marler/ Assessora de Comunicação do Regional Norte 2
Na tarde desta terça-feira (20), os assessores da juventude do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se virtualmente para refletir sobre uma missão que vai muito além da gestão de grupos, mas o verdadeiro papel do assessor no incentivo ao protagonismo dos jovens. Participaram do encontro Irmã Beatriz Aparecida Soares da Silva, Assessora Religiosa do Setor na Arquidiocese de Santarém; Irmã Ionice Lopes, assessora da Diocese de Xingu Altamira; padre Ruan Patrick Freitas, Assessor do Setor na Arquidiocese de Santarém; Lorena Santarém, assessora leiga do setor na Arquidiocese de Santarém; padre Exequiel da Cruz, assessor da Diocese de Macapá e padre Demison Batista, padre referencial para a juventude no regional Norte 2 e assessor da Arquidiocese de Belém.
O encontro, que contou com a presença e a condução de Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo de Macapá e referencial para a juventude no Pará e Amapá, partiu de uma premissa clara, a figura do assessor evoluiu. Sai de cena o “chefe” ou a autoridade distante, e entra o parceiro de caminhada, alguém capaz de transitar entre a mística e o testemunho prático.
O Equilíbrio entre Incentivar, Promover e Facilitar
Para que o protagonismo juvenil não seja apenas um conceito bonito no papel, mas uma experiência real de pertença e missão, a discussão destacou três frentes de atuação fundamentais para o assessor, o ‘Olhar que Incentiva’, a ‘Mão que Promove’ e o ‘Cuidado que Facilita’.
O primeiro ponto ‘O Olhar que Incentiva’, refletiu que muitas vezes, o jovem chega com o peso de sistemas de ensino rígidos ou contextos de exclusão social que silenciam sua voz. Aqui, o assessor atua como um “espelho de potencialidades”. Através da escuta ativa, ele valida ideias ainda embrionárias, fortalece a autoestima e ajuda o jovem a acreditar que a realidade é transformável. Incentivar é, antes de tudo, alimentar o direito de sonhar.
Na ‘Mão que Promove’ foi observado que uma vontade sem espaço gera frustração. Por isso, o papel do assessor também é estrutural. Ele atua como um articulador institucional, abrindo portas em conselhos, igrejas e ONGs para garantir que as juventudes tenham voz ativa e poder de decisão, e não apenas uma presença figurativa. Trata-se de educar para direitos e dar visibilidade ao que o jovem produz.
E talvez o papel mais delicado seja o de facilitador, quando o ‘Cuidado que Facilita’, é o equilíbrio de oferecer ferramentas e remover obstáculos sem nunca substituir a ação do jovem. O assessor/facilitador não entrega respostas prontas; ele faz as perguntas certas. Ele ajuda a navegar nos conflitos naturais da diversidade, ensinando o valor da sinodalidade e da comunhão.
“O papel do assessor como incentivador, promotor e facilitador do protagonismo juvenil, nos fez compreender que saimos do centro do palco para garantir que o jovem brilhe, trocando o fazer por eles pelo dar espaço para que eles façam. Sua maior importância é ser a ponte que transforma o potencial da juventude em liderança real e voz ativa”, disse a jovem Lorena Santarém.
A assessora religiosa da juventude na Arquidiocese de Santarém, irmã Beatriz da Silva, destacou o empenho e a dedicação de Dom Antônio e da comissão organizadora na formação contínua dos assessores juvenis, apontando esse processo como essencial para o fortalecimento da missão pastoral. Segundo ela, investir na qualificação daqueles que acompanham os jovens é um ponto central para que o trabalho pastoral seja conduzido com sabedoria e discernimento, garantindo que as ações estejam alinhadas às necessidades atuais da juventude.
Irmã Beatriz também ressaltou que esse caminho formativo dialoga diretamente com o chamado feito pelo Papa Francisco para que a Igreja permaneça em atitude sinodal, marcada pela escuta, pela saída missionária e pelo compromisso de ir ao encontro daqueles que lhe são confiados, especialmente os jovens. Para a religiosa, a continuidade desse percurso representa uma resposta concreta aos desafios contemporâneos, reafirmando o compromisso pastoral com as novas gerações.
Ao avaliar o trabalho desenvolvido pela Igreja do Regional Norte 2, a assessora manifestou alegria ao perceber uma Igreja que, segundo ela, demonstra sensibilidade aos sinais dos tempos e busca compreender os desígnios de Deus na realidade vivida pelos jovens. Ela recordou ainda uma frase de Dom Antônio, que sintetiza o espírito desse compromisso: “Apostar na Pastoral Juvenil é apostar no ser humano”. Para irmã Beatriz, essa visão revela o cuidado e a ternura com que a Igreja tem se dedicado ao acompanhamento da juventude e ao fortalecimento da vida comunitária.
O Sucesso de ser “Desnecessário”
Um dos pontos mais provocativos da reunião foi a reflexão sobre a autonomia. O verdadeiro sucesso de um assessor é medido pela sua capacidade de se tornar “desnecessário” com o tempo. Isso não significa ausência, mas sim a certeza de que o grupo amadureceu ao ponto de gerir seus próprios processos e projetos.
Para o padre Silvio Santos, assessor da juventude na Diocese de Ponta de Pedras os ensinamentos desta tarde lhe enriqueceram. “Eu aprendi que o assessor é aquele que incentiva o jovem, na participação e na comunhão, ele alimenta o jovem a sonhar deve promover espaços físicos e de decisão para a juventude participar ele é um facilitador ou seja ele ajuda o jovem a fazer e não do contrário a fazer por ele. O assessor da Juventude também é um mediador de conflitos ajuda a estabilizar o grupo e ajuda principalmente a educar para a comunhão”, disse.
A religiosa irmã Ionice Lopes avaliou o encontro como um momento marcado por intensa partilha e aprofundamento formativo, que, segundo ela, trouxe luz e renovou a esperança para a missão junto às juventudes. Em sua reflexão, destacou a importância de compreender a Pastoral Juvenil como uma ação transversal dentro da vida comunitária, reforçando que a acolhida e a inclusão dos jovens nas diversas pastorais são essenciais para fortalecer o dinamismo da Igreja. Para a irmã, a riqueza dos ministérios existentes nas comunidades abre caminhos para que os jovens exerçam seu protagonismo, colocando-se a serviço da missão e ocupando, com responsabilidade, seus espaços de participação e de fala nas paróquias.
Outro aspecto ressaltado por irmã Ionice foi a centralidade da dimensão vocacional no trabalho pastoral com a juventude. Ela enfatizou que a Pastoral Vocacional precisa ser assumida como prioridade nas ações com os jovens, favorecendo processos que despertem neles o desejo de amar e servir à Igreja. Segundo a religiosa, reconhecer e incentivar os dons e carismas das juventudes é um passo fundamental para fortalecer o compromisso missionário e garantir a continuidade da vida pastoral nas comunidades.
“Foi um encontro muito rico, antes de tudo, por fazer parte de um processo de partilha, estudo e sinodalidade dos assessores da pastoral juvenil. Foi muito importante porque estudamos um tema muito sério que deve ser bem compreendido, o papel do assessor da pastoral juvenil, enquanto facilitador, estimulador e promotor do protagonismo juvenil. O bom assessor não é aquele que faz, mas facilita, ajuda, auxilia e estimula de diversas formas, a promoção do protagonismo juvenil”, explicou Dom Antônio de Assis, que fez um alerta muito importante para a caminhada da pastoral.
“Fizemos um grande apelo para que todos os demais assessores do Regional Norte 2 abram-se para a participação nesse evento tão significativo. Essa também é uma responsabilidade dos bispos. lamentavelmente. Há alguns assessores que sempre estão se desculpando e dessa forma, a diocese não participa de nada”, falou ao reforçar o pedido de comprometimento de todos.
E como bem destacou na conclusão do encontro, o protagonismo juvenil não é um “presente” dado pelos adultos, mas um direito conquistado e vivido pelos próprios jovens. O assessor é o catalisador, aquele que garante que a chama do protagonismo encontre o oxigênio necessário para brilhar com luz própria em cada canto da nossa Amazônia.
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