
por Vívian Marler / Assessora Comunicação CNBB Regiional Norte 2
Na vastidão das águas e florestas do Marajó, onde os desafios sociais são tão profundos quanto os rios que banham a região, a presença de Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira tem sido um farol de esperança e justiça. O bispo da Prelazia do Marajó, conhecido por sua trajetória marcada pela defesa intransigente dos direitos humanos, reforçou nesta última semana seu compromisso com as periferias existenciais da Ilha, visitando desde o sistema carcerário até as instituições de proteção à infância.
No sábado, 30 de maio, Dom Ionilton, acompanhado por membros da Pastoral Carcerária, realizou uma visita institucional à Unidade de Custódia e Reinserção de Breves (UCRB). O encontro foi pautado pela escuta e pelo diálogo direto com a direção da unidade, representada pelo diretor Marcelo Renato Correa de Carvalho.
Para Dom Ionilton, a missão da Igreja no sistema prisional vai além do conforto espiritual; é uma busca ativa por melhorias nas condições de vida das pessoas privadas de liberdade e pelo fortalecimento dos processos de reinserção social. Sob sua orientação, a Pastoral Carcerária atua como uma voz que clama por dignidade dentro das celas, garantindo que o Estado cumpra seu papel de custódia com humanidade e respeito aos direitos fundamentais.
Dando continuidade à sua agenda pastoral e institucional, nesta segunda-feira, 1º de junho, Dom Ionilton foi recebido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Breves. O encontro de alinhamento teve como foco central a proteção e a defesa dos direitos infantojuvenis, em uma região historicamente marcada por graves violações, como a exploração sexual e o trabalho infantil.
O diálogo com o CMDCA selou o compromisso de fortalecer a parceria entre a Igreja Católica e os órgãos de controle social. A presença do bispo reafirma que a Igreja do Marajó não é apenas espectadora, mas uma aliada estratégica no combate às violações de direitos. “Juntos, podemos erguer uma barreira contra a injustiça que fere nossas crianças”, destacou Dom Ionilton durante o encontro, reforçando que a proteção da vida em sua etapa mais vulnerável é uma prioridade evangélica.
O trabalho de Dom Ionilton na Prelazia do Marajó é um reflexo de uma Igreja “em saída”, conforme pedia o saudoso Papa Francisco. Sua atuação junto aos encarcerados, aos povos tradicionais e às crianças marajoaras não é apenas administrativa, mas profundamente profética. Ele encarna a missão de denunciar as estruturas de pecado que geram a pobreza e a exclusão, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de uma nova realidade.
No Marajó, a Igreja Católica assume o papel de guardiã da dignidade humana. Diante de estatísticas desafiadoras e de uma logística geográfica complexa, o olhar de Dom Ionilton traduz-se em ação, pois ele caminha onde o povo está, ouve o clamor dos que não têm voz e exige, com a autoridade de quem serve, que o cuidado seja a regra, e não a exceção.
Para a Prelazia, Dom Ionilton não é apenas um gestor eclesial, mas um pai espiritual que ensina que o Reino de Deus se constrói com justiça, proteção e, acima de tudo, com a coragem de defender os preferidos de Jesus.
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