por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Norte 2

No rastro das águas que banham o arquipélago do Marajó e sob a sombra das florestas que resistem ao avanço da exploração desenfreada, teve início nesta segunda-feira, 2, em Breves (PA), a ‘Semana do Meio Ambiente 2026’. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, traz este ano um tema urgente e provocador “Emergências Climáticas – entre rios e florestas”.

A abertura contou com a presença marcante de Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo da Prelazia do Marajó, que em sua fala ecoou o grito da natureza e das populações tradicionais. Dom Ionilton trouxe para o centro do debate a sabedoria do Papa Francisco, citando a encíclica Laudato Si’ “Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos” (n. 53).

Para o bispo, é fundamental compreender que a crise climática que castiga a região, alterando o regime dos rios e ameaçando a biodiversidade do Pará e do Amapá, não é um acidente da natureza. É, antes, uma consequência direta do modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro em detrimento da vida. “A crise não é um fenômeno natural, mas o resultado de como temos tratado a criação”, pontuou Dom Ionilton.

Essa “ganância do poder” mencionada por Dom Ionilton encontra paralelos dolorosos em outras regiões da Amazônia, como no Xingu, onde grandes projetos muitas vezes ignoram a vocação dos territórios e a dignidade de quem neles habita. No Marajó, a Igreja local mantém um olhar atento e cuidadoso, buscando ser voz para as comunidades ribeirinhas que enfrentam as consequências de um sistema que extrai sem recompor.

Mais do que um diagnóstico, a participação da Igreja na Semana do Meio Ambiente selou um compromisso de apoio a ações concretas no município de Breves. Dom Ionilton manifestou total apoio aos novos projetos da Secretaria de Meio Ambiente, que visam transformar a realidade local através do ‘Retorno da Coleta Seletiva’ que é vital para a saúde dos rios e igapós; a ‘Dignidade na Reciclagem’ para garantir espaços e condições de trabalho humanas para os catadores e trabalhadores da reciclagem, e o ‘Fim do Lixão’ uma transição definitiva para a implantação de um Aterro Sanitário, eliminando focos de contaminação e doenças.

A celebração do ‘Dia Mundial do Meio Ambiente’, no próximo dia 5 de junho, ganha contornos de esperança e resistência no Pará. Celebrar esta data na Amazônia é um ato político e espiritual. É lembrar que, entre rios e florestas, o que está em jogo é o futuro do “Corpo Místico” que habita esta terra.

“Reafirmamos que o cuidado com a Casa Comum começa no descarte correto dos resíduos em nossas cidades, mas passa, também, necessariamente, pelo enfrentamento dos grandes empreendimentos que insistem em ferir o coração da Amazônia”, finalizou Dom Ionilton Lisboa.

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