por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2

Ao encerrar a primeira sessão do Consistório Extraordinário, realizado ontem (7/01), o Papa Leão XIV dirigiu palavras de profundo agradecimento e orientação aos cerca de 170 cardeais presentes, destacando que o processo de trabalho realizado à mesa foi tão vital quanto qualquer conclusão formal.

O Santo Padre sublinhou que a presença de todos é um testemunho poderoso para a Igreja e para o mundo, representando o sacrifício de se reunirem para discernir a vontade do Espírito Santo para o futuro.

Fé Contra o Medo

Retomando o tema da Epifania, o Papa instou os cardeais a questionarem-se: “Há vida na nossa Igreja? Há espaço para o que nasce?”. Ele alertou contra o risco de se fechar em velhos hábitos, comparando a atitude de quem tem medo do novo — como Herodes, pronto a mentir — com a alegria do Evangelho, que, ao contrário, inspira prudência, audácia, atenção e criatividade.

A Missão Central

Leão XIV foi categórico ao definir a razão de ser da Igreja: anunciar o Kerigma, o Evangelho com Cristo ao centro. Ele deixou claro que a missão não pertence primariamente aos cardeais, bispos ou clero, mas a todo o Corpo Místico. Assim, os temas do Sínodo e da sinodalidade, como expressão de uma Igreja missionária, e a alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium) formam o eixo central do trabalho conjunto.

O Papa encorajou a continuidade do diálogo e do discernimento nas sessões seguintes, agradecendo o serviço prestado e a coragem de se encontrarem “juntos na barca”.

Publicamos abaixo as palavras que o Santo Padre Leão XIV, na integra, dirigiu de improviso ontem ao Colégio Cardinalício, ao fim da primeira sessão do Consistório Extraordinário, no dia 7 de janeiro de 2026:

Novamente boa noite, e muito obrigado por todo o trabalho já realizado nesta primeira sessão.

Gostaria de começar apenas repetindo as palavras de um dos secretários, o primeiro que falou, que sugeriu que o caminho foi tão importante quanto a conclusão do trabalho à mesa. Gostaria de partir daí para dizer, em primeiro lugar, obrigado por estarem aqui! Penso que a participação de todos vós nesta experiência como Colégio dos Cardeais da Igreja é muito importante, pois oferece não só a nós – não é para nós –, mas oferece à Igreja e ao mundo um certo testemunho da vontade, do desejo, reconhecendo o valor de nos reunirmos, de fazer o sacrifício de uma viagem – para alguns de vós muito longa –, para vir estar juntos e poder procurar juntos o que o Espírito Santo quer para a Igreja hoje e amanhã. Portanto, por isso, penso que é verdadeiramente importante, mesmo que seja um tempo muito breve, é um tempo muito importante também para mim, porque sinto, experimento a necessidade de poder contar convosco: sois vós que chamastes este servo a esta missão! Então, gostaria de dizer, penso que é importante que trabalhemos juntos, que discernamos juntos, que procuremos o que o Espírito nos pede.

Se me permitem, repito algumas palavras da homilia de ontem, na festa da Epifania. Muitos de vós estiveram presentes, mas digo de novo. «Perguntemo-nos: há vida na nossa Igreja?». Estou convencido que sim, certamente. Estes meses, se não o tivesse vivido antes, certamente tive imensas belas experiências da vida da Igreja. Mas a pergunta está lá: há vida na nossa Igreja? «Há espaço para o que nasce? Amamos e anunciamos um Deus que põe a caminho?». Não podemos fechar-nos e dizer: “Tudo está já feito, acabado, façam como sempre fizemos”. Há verdadeiramente um caminho e com o trabalho destes dias estamos a caminhar juntos.

«No relato, Herodes teme pelo seu trono; agita-se pelo que sente fora do seu controlo, tenta aproveitar-se do desejo dos Magos e procura dobrar a sua busca para sua própria vantagem». Herodes «está pronto a mentir, está disposto a tudo. O medo, de facto, cega. A alegria do Evangelho, pelo contrário, livre. Torna prudente, sim, mas também audaz, atento e criativo; sugere caminhos diferentes daqueles já percorridos». Este [encontro] para mim é uma das muitas expressões em que podemos verdadeiramente viver uma experiência da novidade da Igreja. O Espírito Santo está vivo e presente também entre nós. Quão belo é estarmos juntos na barca! Aquela imagem que o Cardeal Radcliffe nos ofereceu na sua reflexão esta tarde, como que a dizer: estamos juntos. Pode haver algo que nos assuste; há a dúvida: mas para onde vamos?, como iremos parar? Mas se pusermos a confiança no Senhor, na Sua presença, podemos fazer muito.

Obrigado pelas escolhas. A escolha de todas as mesas por grande maioria está bastante clara, penso. E parece-me muito importante também, pelos outros comentários feitos, que não se pode separar um tema do outro. De facto, há muito que poderemos ver juntos. Mas queremos ser uma Igreja que não olha só para si mesma, que é missionária, que olha mais além, para os outros. A razão de ser da Igreja não é para os cardeais, nem para os bispos, nem para o clero. A razão de ser é anunciar o Evangelho. E, portanto, estes dois temas: Sínodo e sinodalidade, como expressão do procurar como ser uma Igreja missionária no mundo de hoje, e Evangelii Gaudium, anunciar o querigma, o Evangelho com Cristo ao centro. Esta é a nossa missão.

E, portanto, agradeço-vos. Isto ajudar-nos-á a organizarmo-nos para o trabalho de amanhã nas duas sessões. Os outros temas não se perdem. Há questões muito concretas, específicas, que ainda temos de ver. Espero que cada um de vós se sinta verdadeiramente livre para comunicar comigo ou com outros, e continuaremos este processo de diálogo e discernimento.

Então, nada mais. Obrigado por este serviço. Não sei se ultrapassei os três minutos. O moderador foi muito cortês! Boa noite e vemos-nos amanhã de manhã“.

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