
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2
Na Solenidade do Natal do Senhor, a celebração do dia 25 de dezembro na Basílica de São Pedro focou-se na natureza paradoxal da paz trazida por Cristo e no poder transformador da acolhida. Em sua homilia, o Santo Padre Leão XIV convidou os fiéis a irromperem em cânticos de alegria, ecoando o profeta Isaías, pois a paz prometida já se encontra entre nós, apesar das ruínas e feridas do mundo.
O Dom que Nos Arrebata da Indiferença
A mensagem central girou em torno da distinção entre a paz oferecida pelo mundo e aquela concedida por Jesus “Não como a dá o mundo, Eu vo-la dou a vós” (Jo 14,27). Esta paz não é um mero cessar-fogo ou um estado de conforto, mas uma força ativa que exige uma resposta.
O paradoxo do Natal reside no fato de que este dom se expõe à rejeição — “Venne fra i suoi, e i suoi non lo hanno accolto” (Veio para os seus, e os seus não o acolheram) — mas, precisamente nessa vulnerabilidade, reside seu poder. Aos que acolhem o Verbo feito carne, é concedido o poder de se tornarem filhos de Deus. Este poder, contudo, permanece adormecido se permanecermos distantes da dor alheia.
A Dignidade Revelada no Contato
A reflexão aprofundou-se na necessidade de superar o distanciamento. Citando a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, o Santo Padre reforçou a urgência de tocar a miséria humana e a carne sofredora dos outros.
“Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros”, ensina o Papa Francisco. A verdadeira fé cristã exige a renúncia aos “abrigos pessoais ou comunitários” que nos permitem manter a distância do drama humano. Somente ao entrar em contato com a existência concreta do próximo é que se pode conhecer a força da ternura.
O Natal, portanto, não é apenas um evento histórico a ser contemplado, mas um convite constante à dedicação ativa. A paz de Cristo é um poder que se ativa na ternura, no cuidado com a fragilidade dos mais vulneráveis — o choro das crianças, a fragilidade dos idosos, o silêncio das vítimas.
Ao celebrarmos o Natal do Senhor, somos chamados a viver a alegria do Evangelho, transformando a acolhida em ação e a fé em toque amoroso no mundo.
Leia a homilia do Pontífice, na integra, abaixo.
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SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
SANTA MISSA DO DIA
HOMILIA DO SANTO PADRE LEÃO XIV
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Caríssimos irmãos e irmãs!
«Irrompei juntos em cânticos de alegria» (Is 52,9), clama o mensageiro da paz a quem se encontra entre as ruínas de uma cidade inteiramente a ser reconstruída. Mesmo empoeirados e feridos, seus pés são belos – escreve o profeta (cfr Is 52,7) – porque, através de longas e difíceis estradas, levaram um anúncio alegre, no qual agora tudo renasce. É um novo dia! Também nós participamos desta virada, na qual ninguém parece ainda acreditar: a paz existe e já está no meio de nós.
«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não como a dá o mundo, Eu vo-la dou a vós» (Jo 14,27). Assim disse Jesus aos discípulos, a quem tinha acabado de lavar os pés, mensageiros de paz que a partir daquele momento deveriam correr pelo mundo, sem se cansar, para revelar a todos o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Hoje, portanto, não somente somos surpreendidos pela paz que já está aqui, mas celebramos como este dom nos foi dado. No como, de fato, brilha a diferença divina que nos faz irromper em cânticos de alegria. Assim, em todo o mundo, o Natal é por excelência uma festa de músicas e de cânticos.
Também o prólogo do quarto Evangelho é um hino e tem como protagonista o Verbo de Deus. O “verbo” é uma palavra que age. Esta é uma característica da Palavra de Deus: nunca é sem efeito. Visto bem, muitas das nossas palavras também produzem efeitos, às vezes indesejados. Sim, as palavras agem. Mas eis a surpresa que a liturgia do Natal nos coloca à frente: o Verbo de Deus aparece e não sabe falar, vem a nós como um recém-nascido que apenas chora e balbucia. «Fez-se carne» (Jo 1,14) e, embora cresça e um dia aprenda a língua do seu povo, agora quem fala é apenas a sua simples e frágil presença. «Carne» é a radical nudez à qual em Belém e no Calvário falta até mesmo a palavra; como palavra não têm tantos irmãos e irmãs despidos da sua dignidade e reduzidos ao silêncio. A carne humana pede cuidado, invoca acolhimento e reconhecimento, procura mãos capazes de ternura e mentes dispostas à atenção, deseja palavras boas.
«Veio para os seus, e os seus não o acolheram. Mas a quantos O acolheram, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,11). Eis o modo paradoxal como a paz já está entre nós: o dom de Deus é envolvente, busca acolhimento e ativa a dedicação. Surpreende-nos porque se expõe à rejeição, encanta-nos porque nos arranca da indiferença. É um poder verdadeiro o de se tornar filho de Deus: um poder que permanece sepultado enquanto estivermos distantes do choro das crianças e da fragilidade dos idosos, do silêncio impotente das vítimas e da resignada melancolia de quem faz o mal que não quer.
Como escreveu o amado Papa Francisco, para nos reconduzir à alegria do Evangelho: «Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Ele espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que nos permitem manter-nos à distância do cerne do drama humano, para que aceitemos verdadeiramente entrar em contato com a existência concreta dos outros e conheçamos a força da ternura» (Exort. Ap. *Evangelii Gaudium, 270).
Cari fratelli e sorelle, poiché il Verbo si fece carne, ora la carne parla, grida il desiderio divino di incontrarci. Il Verbo ha stabilito fra noi la sua fragile tenda. E come non pensare alle tende di Gaza, da settimane esposte alle piogge, al vento e al freddo, e a quelle di tanti altri profughi e rifugiati in ogni continente, o ai ripari di fortuna di migliaia di persone senza dimora, dentro le nostre città? Fragile è la carne delle popolazioni inermi, provate da tante guerre in corso o concluse lasciando macerie e ferite aperte. Fragili sono le menti e le vite dei giovani costretti alle armi, che proprio al fronte avvertono l’insensatezza di ciò che è loro richiesto e la menzogna di cui sono intrisi i roboanti discorsi di chi li manda a morire.
Quando la fragilità altrui ci penetra il cuore, quando il dolore altrui manda in frantumi le nostre certezze granitiche, allora già inizia la pace. La pace di Dio nasce da un vagito accolto, da un pianto ascoltato: nasce fra rovine che invocano nuove solidarietà, nasce da sogni e visioni che, come profezie, invertono il corso della storia. Sì, tutto questo esiste, perché Gesù è il Logos, il senso da cui tutto ha preso forma. «Tutto è stato fatto per mezzo di lui e senza di lui nulla è stato fatto di ciò che esiste» (Gv 1,3). Questo mistero ci interpella dai presepi che abbiamo costruito, ci apre gli occhi su un mondo in cui la Parola risuona ancora, «molte volte e in diversi modi» (cfr Eb 1,1), e ancora ci chiama a conversione.
Certo, il Vangelo non nasconde la resistenza delle tenebre alla luce, descrive il cammino della Parola di Dio come una strada impervia, disseminata di ostacoli. Fino a oggi gli autentici messaggeri di pace seguono il Verbo su questa via, che infine raggiunge i cuori: cuori inquieti, che spesso desiderano proprio ciò a cui resistono. Così il Natale rimotiva una Chiesa missionaria, sospingendola sui sentieri che la Parola di Dio le ha tracciato. Non serviamo una parola prepotente – ne risuonano già dappertutto – ma una presenza che suscita il bene, ne conosce l’efficacia, non se ne arroga il monopolio.
Ecco la strada della missione: una strada verso l’altro. In Dio ogni parola è parola rivolta, è un invito alla conversazione, parola mai uguale a sé stessa. È il rinnovamento che il Concilio Vaticano II ha promosso e che vedremo fiorire solo camminando insieme all’intera umanità, mai separandocene. Mondano è il contrario: avere per centro sé stessi. Il movimento dell’Incarnazione è un dinamismo di conversazione. Ci sarà pace quando i nostri monologhi si interromperanno e, fecondati dall’ascolto, cadremo in ginocchio davanti alla nuda carne altrui. La Vergine Maria è proprio in questo la Madre della Chiesa, la Stella dell’evangelizzazione, la Regina della pace. In lei comprendiamo che nulla nasce dall’esibizione della forza e tutto rinasce dalla silenziosa potenza della vita accolta.
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