por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2

Ao encerrar-se o Ano Jubilar, com o fechamento da Porta Santa, a Audiência Geral, desta manhã (7/01), realizada na Sala Paulo VI, presidida pelo Papa Leão XIV, serviu como um momento de profunda reflexão sobre o caminho da Igreja, revisitando a luz lançada pelo Concílio Vaticano II e projetando as aspirações para o futuro.

A Aurora de um Novo Tempo

Quando o Papa São João XXIII abriu o Concílio Vaticano II em 11 de outubro de 1962, ele o descreveu como a aurora de um dia de luz para toda a Igreja. O trabalho dos Padres Conciliares, vindos de todos os continentes, pavimentou o caminho para uma nova estação eclesial. O Concílio, após uma rica reflexão teológica do século XX, redescobriu o rosto de Deus como Pai, chamando-nos a ser Seus filhos; olhou para a Igreja como mistério de comunhão e sacramento de unidade; e impulsionou uma reforma litúrgica focada na participação ativa de todo o Povo de Deus.

Mais do que um evento histórico, o Vaticano II é um farol para a sociedade globalizada atual. Como ensinou Bento XVI, seus documentos permanecem atuais, convidando a Igreja a abrir os braços à humanidade, ouvindo suas esperanças e angústias, e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. O Papa Francisco reforça que redescobrir o Concílio nos ajuda a “restituir o primado a Deus e a uma Igreja que seja louca de amor pelo seu Senhor e por todos os homens”.

O Chamado à Santidade e à Missão

O espírito pós-conciliar exige que a vida espiritual e a ação pastoral sejam caracterizadas pela coragem e pela abertura. Diante dos desafios contemporâneos, somos chamados a ser intérpretes atentos dos sinais dos tempos e testemunhas da justiça e da paz.

Neste sentido, ecoa a profecia de Monsenhor Albino Luciani (futuro Papa João Paulo I) no início do Concílio “Existe como sempre a necessidade de realizar não tanto organismos ou métodos ou estruturas, quanto santidade mais profunda e estendida”.

Ao final dos trabalhos conciliares, São Paulo VI exortou os padres a deixarem a assembleia para ir ao encontro do mundo, consciente de que viviam um tempo onde passado, presente e futuro se condensavam o passado na tradição, o presente nas conquistas e valores do mundo de hoje, e o futuro no apelo dos povos por justiça e paz.

Bênçãos para o Novo Ano

A mensagem final do Papa Leão XIV na Audiência Geral reforçou este envio missionário, desejando que a bênção de Deus acompanhe a todos no novo ano. Em saudações dirigidas a fiéis de diversas línguas — francês, inglês, alemão, espanhol, chinês, português, árabe, polonês e italiano, o Papa convidou a manter o coração aberto a Cristo e a levar a boa notícia do Reino de Deus, um Reino de amor, justiça e paz, ao mundo inteiro.

Ao rezar pelos peregrinos, pelos doentes, pelas famílias e por todos os que se dedicam à fé, a mensagem final é clara: que a esperança vivida no Jubileu sustente o testemunho cristão, transformando a Igreja em “mensagem” e “colóquio” com a humanidade.

Leia a mensagem do Papa Leão XIV, na integra, abaixo.

 

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LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Aula Paulo VI
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Catequese. O Concílio Vaticano II através de seus Documentos. Catequese Introdutória

“Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

Após o Ano Jubileu, durante o qual nos detivemos nos mistérios da vida de Jesus, iniciamos um novo ciclo de catequeses que será dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Esta é uma ocasião preciosa para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial. São João Paulo II, no final do Jubileu de 2000, afirmava assim: «Sinto mais do que nunca o dever de apontar o Concílio como a grande graça de que a Igreja beneficiou no século XX» (Carta Apost. Novo Millennio Ineunte, 57).

Juntamente com o aniversário do Concílio de Niceia, em 2025 relembramos os sessenta anos do Concílio Vaticano II. Embora o tempo que nos separa deste evento não seja muito longo, é igualmente verdade que a geração de Bispos, teólogos e fiéis do Vaticano II hoje não existe mais. Portanto, enquanto sentimos o chamado de não apagar a sua profecia e de procurar ainda caminhos e modos para realizar as suas intuições, será importante conhecê-lo novamente de perto, e fazê-lo não através do “ouvir dizer” ou das interpretações que lhe foram dadas, mas relendo os seus Documentos e refletindo sobre o seu conteúdo. Trata-se, de fato, do Magistério que constitui ainda hoje a estrela polar do caminho da Igreja. Como ensinava Bento XVI, «com o passar dos anos os documentos não perderam atualidade; seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da presente sociedade globalizada» (Primeira mensagem após a Missa com os Cardeais eleitores, 20 de abril de 2005).

Quando o Papa São João XXIII abriu a assembleia conciliar, no dia 11 de outubro de 1962, falou dela como a aurora de um dia de luz para toda a Igreja. O trabalho dos numerosos Padres convocados, provenientes das Igrejas de todos os continentes, de fato abriu caminho para uma nova estação eclesial. Após uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica que atravessou o século XX, o Concílio Vaticano II redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, nos chama a ser seus filhos; olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo; iniciou uma importante reforma litúrgica colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou-nos a abrir-nos ao mundo e a colher as mudanças e os desafios da época moderna no diálogo e na corresponsabilidade, como uma Igreja que deseja abrir os braços para a humanidade, fazer-se eco das esperanças e das angústias dos povos e colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Graças ao Concílio Vaticano II, «a Igreja faz-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja faz-se colóquio» (S. Paulo VI, Carta Enc. Ecclesiam Suam, 67), empenhando-se em procurar a verdade através do caminho do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do diálogo com as pessoas de boa vontade.

Este espírito, esta atitude interior, deve caracterizar a nossa vida espiritual e a ação pastoral da Igreja, porque ainda precisamos realizar mais plenamente a reforma eclesial em chave ministerial e, diante dos desafios atuais, somos chamados a permanecer intérpretes atentos dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosos testemunhas de justiça e de paz. Monsenhor Albino Luciani, futuro Papa João Paulo I, como Bispo de Vittorio Veneto, no início do Concílio escreveu profeticamente: «Existe como sempre a necessidade de realizar não tanto organismos ou métodos ou estruturas, quanto santidade mais profunda e extensa. […] Pode ser que os frutos ótimos e copiosos de um Concílio se vejam depois de séculos e amadureçam superando com dificuldade contrastes e situações adversas». [1] Redescobrir o Concílio, portanto, como afirmou o Papa Francisco, nos ajuda a «restituir o primado a Deus e a uma Igreja que seja louca de amor pelo seu Senhor e por todos os homens, por Ele amados» (Homilia no 60º aniversário do início do Concílio Vaticano II, 11 de outubro de 2022).

Irmãos e irmãs, o que São Paulo VI disse aos Padres conciliares ao término dos trabalhos permanece também para nós, hoje, um critério de orientação; ele afirmou que havia chegado a hora da partida, de deixar a assembleia conciliar para ir ao encontro da humanidade e levar-lhe a boa nova do Evangelho, com a consciência de ter vivido um tempo de graça em que se condensavam passado, presente e futuro: «O passado: porque aqui está reunida a Igreja de Cristo, com a sua tradição, a sua história, os seus Concílios, os seus Doutores, os seus Santos. […] O presente: porque nós nos deixamos para ir ao encontro do mundo de hoje, com as suas misérias, as suas dores, os seus pecados, mas também com as suas prodigiosas conquistas, os seus valores, as suas virtudes. […] O futuro, enfim, está lá, no apelo imperioso dos povos a uma maior justiça, na sua vontade de paz, na sua sede consciente ou inconsciente de uma vida mais elevada: aquela precisamente que a Igreja de Cristo pode e quer dar-lhes» (S. Paulo VI, Mensagem aos Padres conciliares, 8 de dezembro de 1965).

Também para nós é assim. Ao nos aproximarmos dos Documentos do Concílio Vaticano II e ao redescobrirmos a sua profecia e atualidade, acolhemos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, interrogamo-nos sobre o presente e renovamos a alegria de correr ao encontro do mundo para levar-lhe o Evangelho do reino de Deus, reino de amor, de justiça e de paz.

Saudações

Saúdo cordialmente as pessoas de língua francesa, particularmente os peregrinos provenientes da Costa do Marfim e da França. No final deste ano jubilar, conscientes de ter vivido um tempo de graça, não deixemos apagar a esperança que nos habita, mas que ela nos leve ao encontro de todos os homens para lhes anunciar a boa nova da Salvação. Que Deus vos abençoe!

Estendo as minhas calorosas boas-vindas esta manhã a todos os peregrinos e visitantes de língua inglesa que participam na Audiência de hoje, especialmente aqueles vindos da Inglaterra, Irlanda, Austrália, Canadá e Estados Unidos da América. A todos vós e às vossas famílias, ofereço as minhas orações e votos de um abençoado período natalício e de um novo ano repleto de alegria e paz. Deus vos abençoe a todos!

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua espanhola. Convido-os a redescobrir juntos o Magistério do Concílio Vaticano II para valorizar a sua profecia e atualidade; para acolher a rica tradição da vida da Igreja; para nos interrogarmos sobre o presente e para renovar a alegria de levar ao mundo o Evangelho do Reino de Deus, que é um Reino de amor, de justiça e de paz. Que o Senhor vos abençoe. Muitas graças.

Dirijo a minha cordial saudação às pessoas de língua chinesa. Caros irmãos e irmãs, que o Ano Novo traga paz e serenidade a vós e às vossas famílias. Abençoo-vos de coração!

Dirijo uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, especialmente aos responsáveis pelas Santas Casas de Misericórdia provenientes da Diocese de Bragança-Miranda, em Portugal. Caros irmãos e irmãs, rezemos ao Senhor para que os frutos espirituais do Jubileu recém-concluído sustentem o testemunho dos cristãos, chamados a ser promotores da justiça e da paz na santidade. Deus vos abençoe!

Queridos irmãos e irmãs de língua alemã, depois que o Ano Santo terminou ontem com o fechamento da Porta Santa, agradeçamos ao Senhor pelas graças que Ele nos concedeu neste tempo privilegiado. Que elas nos ajudem a prosseguir também no novo ano com esperança no nosso caminho de fé.

Saúdo os fiéis de língua árabe. O cristão é chamado a partir com alegria para levar a todo o mundo o Evangelho do Reino de Deus, Reino de amor, de justiça e de paz. O Senhor abençoe a todos e os proteja sempre de todo o mal!

Saúdo cordialmente os poloneses! Ontem, com o fechamento da Porta Santa, concluímos o Ano Jubilar. Que as portas dos vossos corações e das vossas casas permaneçam abertas a Cristo. Unimo-nos em oração aos sacerdotes que levam a bênção de Deus às vossas casas, às famílias, aos doentes e às pessoas sozinhas. Abençoo a todos vós!

Dirijo um cordialas boas-vindas aos fiéis de língua italiana. Em particular, saúdo os Seminaristas da Congregação da Missão, o grupo “Os nossos Anjos no Paraíso” de Agrigento, a escola Caduti per la Patria, de Pomigliano d’Arco e os dirigentes e artistas do Circo Zoppis.

Saúdo, depois, os jovens, os doentes e os recém-casados. Jesus, que contemplamos no mistério do Natal, seja para todos guia seguro no novo ano, que começou há pouco.

A todos a minha bênção!”