por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2

Em uma mensagem contundente entregue no sábado (21) aos participantes do Projeto Policoro da Conferência Episcopal Italiana (CEI), por ocasião de seu 30º aniversário, o Papa Leão XIV enfatizou que a Igreja não pode permitir que nenhum jovem seja negligenciado ou se sinta abandonado, especialmente em tempos de dificuldades sociais e econômicas. O Pontífice elogiou a iniciativa por promover o trabalho digno e declarou “nenhum jovem pode ser deixado ‘no banco de reservas’, mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo”.

Um Rosto de Esperança para a Itália

Ao saudar os membros do projeto, que celebra três décadas de atuação desde sua origem pastoral em 1995, o Papa agradeceu o bem semeado, elogiando a juventude envolvida. “Vocês são o rosto bonito de uma Itália que não desiste, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente”, afirmou Leão XIV. O projeto, nascido com foco nas regiões mais frágeis do Sul da Itália, expandiu sua missão para “evangelizar o mundo do trabalho”, resultando na criação de cooperativas e no reaproveitamento social de bens confiscados das máfias. O Santo Padre agradeceu especificamente por educar ao sentido do trabalho, da justiça e do bem comum, e por tratar as feridas de jovens desiludidos.

O Evangelho como Bússola e a Força da Comunidade

O método de trabalho do Policoro, baseado no acompanhamento próximo aos jovens em busca de um caminho no trabalho e na sociedade, foi destacado como essencial. O Papa assegurou que a bússola orientadora desse compromisso é o Evangelho, fonte da verdadeira força capaz de transformar corações e o mundo. Ele também lembrou a importância da Doutrina Social da Igreja como instrumento de interpretação da realidade, incentivando os jovens a examinarem tudo e a reterem o que é bom, guiados por princípios como a centralidade da pessoa humana, a solidariedade e a ecologia integral. Finalmente, Leão XIV ressaltou que a comunidade é a verdadeira “incubadora de futuro”, sendo nas boas relações comunitárias que a inteligência e a capacidade de trabalho se desenvolvem plenamente, superando o individualismo.

Sobre o Projeto Policoro

O Projeto Policoro é uma iniciativa da Conferência Episcopal Italiana (CEI), entre os seus escritórios nacionais de Pastoral Social e Pastoral Juvenil. O projeto celebra seu trigésimo aniversário este ano. Nascido em 1995, a partir da criatividade pastoral surgida no Encontro Eclesial de Palermo, o projeto nasceu com um foco inicial nas regiões mais frágeis do Sul da Itália. É concebido como uma experiência eclesial com o objetivo fundamental de “evangelizar o mundo do trabalho”, atuando como uma resposta concreta às novas exigências sociais e ao risco de os jovens passarem do desemprego profissional para o desemprego existencial.

O objetivo central do Policoro é a promoção da dignidade humana através do trabalho digno e o acompanhamento dos jovens para que se tornem protagonistas ativos na melhoria do mundo. Busca-se combater o sentimento de abandono e desmotivação, oferecendo um caminho de esperança. O projeto se guia pela *Doutrina Social da Igreja* e pelo Evangelho, utilizando-os como bússola para interpretar a realidade e transformar os corações, incentivando os jovens a reterem o que é bom (cf. 1Ts 5,19-21).

Em termos práticos, as ações do Projeto Policoro são amplas e visam a transformação social e a criação de oportunidades. Entre os frutos concretos citados estão a criação de cooperativas que revitalizam cidades e territórios, o reaproveitamento social de bens confiscados das máfias, e o acompanhamento direto de jovens na criação de suas próprias atividades empresariais. Além disso, há um forte trabalho educativo nas escolas e paróquias, focado na formação para o sentido do trabalho, da justiça, da paz e do bem comum, curando as feridas de quem se sente marginalizado.

O Projeto atende prioritariamente aos jovens, tornando-os protagonistas do futuro da Igreja e de seus territórios, especialmente aqueles que enfrentam o desemprego, a desilusão e o risco de fechamento social, um cenário agravado pelo “inverno demográfico”. A metodologia chave é o acompanhamento, onde as dioceses e os membros do projeto caminham ao lado desses jovens, construindo redes comunitárias que funcionam como “incubadoras de futuro”, pois a inteligência e a organização se desenvolvem através de boas relações sociais.

leia o discurso do Pontífice abaixo.

DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS PARTICIPANTES DO “PROJETO POLICORO”
DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA

Sala Clementina
Sábado, 21 de fevereiro de 2026

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Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
A paz esteja convosco!

Caros irmãos Bispos,
caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

O Projeto Policoro atingiu a marca dos trinta anos: uma ocasião que deve nos ajudar a olhar para a frente com gratidão e confiança. Vós, jovens, sois o rosto bonito de uma Itália que não se rende, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente. Em trinta anos, semeastes uma imensa quantidade de bem que vale a pena contar: jovens que se envolveram no social e na política; vidas que se reanimaram graças ao Evangelho e à doutrina social da Igreja.

Foram ditos muitos “nãos” a atalhos de corrupção, exploração do trabalho e injustiças; alguns bens confiscados às máfias tornaram-se investimentos no social; nasceram cooperativas que fizeram florescer cidades e territórios; muitos jovens foram acompanhados na criação de atividades empresariais. Além disso, dedicastes horas nas escolas e paróquias para educar para o sentido do trabalho e da justiça, para formar para a paz, para sensibilizar para o bem comum. Curastes as feridas de jovens mantidos à margem, desiludidos e desmotivados. Obrigado por todo este bem semeado! Obrigado porque tendes bem claro que nenhum jovem na vida pode ser deixado “no banco de reservas”, mas deve ser apoiado na realização dos seus sonhos e na melhoria do mundo.

Foi em 1995 que o Projeto Policoro deu os primeiros passos, graças à criatividade pastoral dos Diretores nacionais de pastoral social, Caritas e pastoral juvenil da Conferência Episcopal Italiana. O Encontro Eclesial de Palermo havia solicitado uma atenção específica ao Sul do País. O Projeto foi uma proposta e, com o passar do tempo, cresceu procurando responder às novas exigências e, sobretudo, a “evangelizar o mundo do trabalho”. Sucessivas pessoas assumiram responsabilidades na formação e no acompanhamento, numa passagem de testemunho que ainda continua. Cada um deles contribuiu para o crescimento do Projeto nos territórios. O trabalho coordenado de muitos multiplicou as energias e os resultados. É uma imagem viva e jovem do que a Igreja pode e deve ser a serviço do País. De tudo damos graças ao Senhor, que com a força do Espírito Santo vos tornou vivos e generativos no social, capazes de amar a vida.

Ainda é preciso o vosso empenho, sobretudo numa estação de inverno demográfico, de despovoamento das áreas mais frágeis do País, de jovens que arriscam ficar desmotivados e se fechar. Ninguém deve ser negligenciado. Ninguém deve sentir-se abandonado. O Projeto Policoro nasceu como experiência eclesial e é fruto da fantasia de uma Igreja que não só quer fazer algo pelos jovens, mas os torna protagonistas do seu caminho e do futuro de cada território. Convosco somos Igreja a serviço do mundo, como fermento na massa.

Uma das atitudes mais belas que vivenciam quotidianamente é a do acompanhamento: as Dioceses escolhem-vos e pegam-vos pela mão, e vós acompanhais jovens à procura de um caminho no trabalho, na economia e na sociedade. Deste modo, o vosso empenho em responder à crise laboral e social do Sul da Itália transformou-se em renovado envolvimento também em outros territórios. É sempre o momento de contagiar com o vosso entusiasmo e com a vossa sensibilidade também os lugares mais refratários e as pessoas mais resignadas. Olhando para a frente, não percam de vista as referências que vos conduziram até aqui e que vos permitirão caminhar ainda por muito tempo. Neste momento, gostaria idealmente de as reconsegná-las de novo a todos vós.

A bússola do vosso empenho é o Evangelho: nele reside a verdadeira força que transforma os corações e o mundo. Dom Mario Operti, um dos idealizadores do Projeto juntamente com Mons. Giuseppe Pasini, escreveu assim: «Se fôssemos tão pobres que não pudéssemos dar nada aos outros, talvez conseguiríamos ter mais consciência da riqueza do Evangelho, que pode verdadeiramente mudar a vida das pessoas e ajudar as pessoas a caminhar». [1]

Uma segunda referência é o ensinamento social da Igreja. O estudo da doutrina social permite-vos amar este tempo e oferece-vos as ferramentas para interpretar a realidade. Não vos deixeis encantar por profetas de desgraça que veem tudo negativo; mas não sejais tão ingénuos a ponto de pensar que tudo está bem. Como nos ensina São Paulo: «Não apaguem o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo e conservai o que é bom» (1Ts 5,19-21). A centralidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a destinação universal dos bens, a participação, a ecologia integral e a paz guiam-nos na construção de uma sociedade conforme ao desígnio de amor de Deus sobre a humanidade.

O terceiro recurso é a comunidade como incubadora de futuro. A cultura atual tende a fazer-nos pensar isolados e em competição. Em vez disso, o trabalho, a economia, a política, a comunicação não se sustentam no génio de líderes solitários, mas em especialistas em relações sociais. Quando a vida comunitária cresce, tanto na sociedade quanto na Igreja, então criamos a condição para que a vida possa germinar. Sereis generativos sempre que cuidardes das redes comunitárias. A inteligência, o talento, o conhecimento, a organização social, a laboriosidade desenvolvem-se graças a boas relações. Se sonhardes juntos, se dedicardes tempo a fazer crescer percursos partilhados, se amardes as vossas cidades, tornar-vos-eis como o sal que dá sabor a tudo (cfr Mt 5,13).

Finalmente, lembrem-se de que vocês têm muitos pais e mães no Espírito, que foram pontos de referência para cidades e territórios e para o País inteiro: são os santos e os testemunhos cujo empenho social foi fonte de renovação cívica e caritativa. Como não lembrar figuras como Francisco de Assis, no oitavo centenário da sua morte, Catarina de Sena, João Bosco, Bartolo Longo, Francisca Cabrini, Armida Barelli, Luigi Sturzo, Piergiorgio Frassati, Alberto Marvelli, Giorgio La Pira, Lorenzo Milani, Primo Mazzolari, Maria di Campello, Aldo Moro, Tina Anselmi, Pino Puglisi, Tonino Bello, Annalena Tonelli? A lista poderia continuar e isso é lindíssimo. É um exercício que vos convido a fazer: conhecer biografias marcadas pela presença do Espírito nos lugares onde habitais. Conhecê-las e narrá-las. Há um rio de santidade que tornou férteis as nossas comunidades. É o sinal concreto de que Deus nunca nos deixa sozinhos. Ele nos amou, continua a amar-nos e não se cansa de se fazer presente com pessoas de carne e osso capazes de transformar a vida social e de evangelizar o mundo do trabalho. Com eles, aprendam a coragem e a abertura quotidiana à Graça.

Caríssimos, sigam em frente juntos com confiança. A Itália e a Europa precisam de vós e do vosso entusiasmo. Não parem de sonhar e de estreitar laços com outros jovens europeus e de outros Continentes que, como vós, amam a Igreja e trabalham em seu nome na sociedade. Sigo-vos com esperança, recordo-vos na oração e de coração concedo a vós e às vossas famílias a bênção apostólica. Obrigado!

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