por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2 da CNBB
Na mensagem do Angelus deste domingo (25/01), o Papa Leão XIV convidou os fiéis a refletirem sobre o tempo e o lugar da ação de Deus, destacando que o anúncio do Evangelho não deve ser adiado diante das dificuldades, mas vivido com confiança e coragem em qualquer circunstância da vida.
Ao comentar o Evangelho do dia, o Pontífice recordou que Jesus inicia sua missão justamente em um momento adverso: após a prisão de João Batista. Para o Papa, esse dado revela que Deus age mesmo quando a realidade parece desfavorável. “Todo tempo é bom para o Senhor”, afirmou, alertando para o risco de uma prudência excessiva que paralisa decisões, escolhas e mudanças necessárias na vida pessoal e eclesial.
Segundo Leão XIV, o Evangelho convida ao “risco da confiança”, pois Deus está sempre em ação, ainda que os seres humanos não se sintam preparados ou que as circunstâncias não pareçam ideais. A fé cristã, destacou, não pode ficar prisioneira da indecisão.
O Papa também chamou atenção para o lugar escolhido por Jesus para iniciar sua missão pública: a Galileia, região marcada pela diversidade cultural e religiosa. Ao deixar Nazaré e estabelecer-se em Cafarnaum, Jesus demonstra que a mensagem do Reino ultrapassa fronteiras e não exclui ninguém. “Deus se faz próximo de todos”, ressaltou o Pontífice, lembrando que o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todos os ambientes, como fermento de fraternidade e paz entre povos, culturas e religiões.
Palavra de Deus no centro da vida cristã
Após a oração mariana, Leão XIV recordou que a Igreja celebrou o Domingo da Palavra de Deus, instituído há sete anos para fortalecer, em toda a comunidade eclesial, o amor às Escrituras. Ele agradeceu e encorajou aqueles que se dedicam à promoção da Palavra de Deus na liturgia e na vida das comunidades.
Apelo pela paz e solidariedade com os que sofrem
O Papa voltou a manifestar sua preocupação com a situação na Ucrânia, duramente atingida por ataques contínuos que expõem a população civil ao rigor do inverno. Expressando proximidade espiritual às vítimas, Leão XIV fez um apelo para que se intensifiquem os esforços em favor de uma paz justa e duradoura, lembrando que a prolongação da guerra aprofunda a divisão entre os povos.
Na mesma linha de solidariedade, o Pontífice recordou o Dia Mundial dos Doentes de Hanseníase, manifestando sua proximidade às pessoas afetadas pela doença e elogiando o trabalho de associações e voluntários que se dedicam à defesa da dignidade dos doentes.
Jovens, crianças e o compromisso com a paz
Saudando fiéis, peregrinos e grupos vindos de diversos países, o Papa dirigiu uma mensagem especial às crianças e jovens da Ação Católica de Roma, participantes da Caravana pela Paz. Ele agradeceu aos jovens por ajudarem os adultos a enxergar o mundo sob a perspectiva da colaboração entre pessoas e povos diferentes.
“Sejam construtores da paz em casa, na escola, no esporte, em todos os lugares”, exortou Leão XIV, reforçando que a violência nunca é um caminho e que o mal só pode ser vencido com o bem.
Ao final, o Pontífice convidou todos à oração pela paz na Ucrânia, no Oriente Médio e em todas as regiões marcadas por conflitos, reafirmando que a paz se constrói no respeito aos povos.
ANGELUS
Praça São Pedro
Domingo, 25 janeiro 2026
Irmãos e irmãs, bom domingo!
Depois de receber o batismo, Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão — chamado Pedro —, André, Tiago e João (cf. Mt 4,12-22). Observando de perto esta cena do Evangelho de hoje, podemos nos fazer duas perguntas: uma sobre o tempo em que Jesus dá início à sua missão e outra sobre o lugar que escolhe para pregar e chamar os apóstolos. Perguntemo-nos: quando começa? onde começa?
Antes de tudo, o Evangelista nos diz que Jesus começou a sua pregação «quando soube que João tinha sido preso» (v. 12). Acontece, portanto, em um momento que não parece dos melhores: o Batista acaba de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que sugeriria prudência, e no entanto é justamente nessa situação obscura que Jesus começa a levar a luz da boa notícia: «O Reino dos Céus está próximo» (v. 17).
Também na nossa vida pessoal e eclesial, às vezes por causa de resistências interiores ou de circunstâncias que não consideramos favoráveis, pensamos que não seja o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, fazer uma escolha, mudar uma situação. O risco, porém, é permanecer bloqueados na indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, enquanto o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus está em ação em todo tempo, e todo momento é bom para o Senhor, mesmo que não nos sintamos prontos ou que a situação não pareça a melhor.
O relato evangélico também nos mostra o lugar de onde Jesus inicia a sua missão pública: Ele «deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum» (v. 13). Permanece, no entanto, na Galileia, um território habitado sobretudo por pagãos, que, por causa do comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer um território multicultural, atravessado por pessoas de diferentes origens e pertenças religiosas. Desse modo, o Evangelho nos diz que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da própria terra para anunciar o Deus que se faz próximo de todos, que não exclui ninguém, que não veio apenas para os puros, mas que, ao contrário, se mistura nas situações e nas relações humanas. Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fechar: o Evangelho, de fato, deve ser anunciado e vivido em toda circunstância e em todo ambiente, para que seja fermento de fraternidade e de paz entre as pessoas, entre as culturas, as religiões e os povos.
Irmãos e irmãs, assim como os primeiros discípulos, somos chamados a acolher o chamado do Senhor, na alegria de saber que todo tempo e todo lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor. Rezemos à Virgem Maria, para que nos alcance essa confiança interior e nos acompanhe no caminho.
Depois do Angelus
Caros irmãos e irmãs,
Neste domingo, o terceiro do Tempo Comum, celebramos o Domingo da Palavra de Deus. O Papa Francisco o instituiu há sete anos para promover, em toda a Igreja, o conhecimento da Sagrada Escritura e a atenção à Palavra de Deus, na Liturgia e na vida das comunidades. Agradeço e encorajo quantos se dedicam, com fé e amor, a esse objetivo prioritário.
Também nestes dias, a Ucrânia é atingida por ataques contínuos, que deixam populações inteiras expostas ao frio do inverno. Acompanho com dor o que acontece, estou próximo e rezo por aqueles que sofrem. A prolongação das hostilidades, com consequências cada vez mais graves para os civis, aprofunda a fratura entre os povos e afasta uma paz justa e duradoura. Convido todos a intensificarem ainda mais os esforços para pôr fim a esta guerra.
Hoje celebra-se o Dia Mundial dos Doentes de Hanseníase. Expresso a minha proximidade a todas as pessoas afetadas por essa doença. Encorajo a Associação Italiana Amigos de Raoul Follereau e todos aqueles que cuidam dos doentes de hanseníase, empenhando-se na defesa da sua dignidade.
Dirijo a minha saudação de boas-vindas a todos vocês, fiéis de Roma e peregrinos de vários países! Em particular, saúdo o coro paroquial de Rakovski, na Bulgária; o grupo de Quinceañeras do Panamá; os alunos do Instituto “Zurbarán”, de Badajoz, na Espanha; bem como os jovens crismandos da paróquia São Marcos Velho, em Florença, a comunidade escolar do Instituto Comprensivo “Erodoto”, de Corigliano-Rossano, e a Associação de voluntariado “Cuori Aperti”, de Lecce.
Saúdo com carinho os jovens da Ação Católica de Roma, juntamente com seus pais, educadores e sacerdotes, que deram vida à Caravana pela Paz. Queridas crianças e jovens, agradeço-lhes porque ajudam nós, adultos, a olhar o mundo a partir de outra perspectiva: a da colaboração entre pessoas e povos diferentes. Obrigado! Sejam construtores da paz em casa, na escola, no esporte, em todos os lugares. Nunca sejam violentos, nem com as palavras nem com os gestos. Nunca! O mal só se vence com o bem.
Juntamente com esses jovens, rezemos pela paz: na Ucrânia, no Oriente Médio e em todas as regiões onde, infelizmente, se combate por interesses que não são os dos povos. A paz se constrói no respeito aos povos!
Hoje se conclui a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. À tarde, como é tradição, celebrarei as Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, juntamente com os representantes das outras confissões cristãs. Agradeço a todos os que participarão, inclusive por meio dos meios de comunicação, e desejo a todos um bom domingo.
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