
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte
Em um domingo marcado pela reflexão espiritual e por um forte apelo à justiça global, o Papa Leão XIV, após a tradicional oração do Angelus na Praça de São Pedro, deu início à ‘Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos’. O pontífice utilizou a figura de João Batista para exortar os fiéis a rejeitarem a busca por fama e a abraçarem a verdadeira fonte de alegria em Deus.
A Lição do Batista: Rejeitar a Aparência
Inspirando a mensagem do dia, o Evangelho (Jo 1,29-34) apresentou João Batista, aquele que, mesmo amado pelas multidões, não cedeu à tentação do sucesso. João reconheceu a grandeza de Jesus, o Cordeiro de Deus, e humildemente se retirou da cena após cumprir sua missão.
Dom Leão XIV destacou a importância contemporânea deste testemunho “Muitas vezes, à aprovação, ao consenso, à visibilidade é dada uma importância excessiva, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de ânimo das pessoas.” O Papa advertiu contra os “substitutos de felicidade” que são a fama e o sucesso passageiros, reafirmando que a verdadeira alegria reside no reconhecimento de ser amado e querido pelo Pai Celestial.
O Santo Padre incentivou os fiéis a aprenderem com o Batista, mantendo o espírito vigilante, amando as coisas simples e dedicando um momento diário para “fazer deserto” — parar em silêncio para orar, refletir e encontrar o Senhor.
Unidade, Paz e Crises Humanitárias
Em sua mensagem pós-Angelus, o Papa Leão XIV fez a ligação direta entre a busca pela unidade na fé e o compromisso com a paz e a justiça no mundo.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que começou neste domingo, tem como tema central a passagem de Efésios. “Um só corpo e um só Espírito, como uma só é a esperança à qual fostes chamados» (Ef 4,4)”. O Papa convidou todas as comunidades católicas a intensificarem suas orações pela plena unidade visível entre todos os cristãos.
Além do apelo ecumênico, o Pontífice dirigiu sua oração às vítimas de conflitos e desastres naturais. Ele expressou profunda preocupação pelas grandes dificuldades da população do leste da República Democrática do Congo, forçada a fugir devido à violência e enfrentando uma grave crise humanitária, especialmente no Burundi. O Papa pediu que o diálogo prevaleça para a reconciliação e a paz.
Igualmente, assegurou suas orações pelas vítimas das inundações que atingiram a África meridional nos dias anteriores.
O dia foi concluído com calorosas saudações aos peregrinos presentes, incluindo grupos da Inglaterra e da Itália, reforçando a mensagem de que a fé e a oração são pilares que unem a Igreja universal.
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PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 18 de janeiro de 2026
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“Caros irmãos e irmãs, boa domingo!
Hoje o Evangelho (cf. Jo 1,29-34) fala-nos de João Batista, que reconhece em Jesus o Cordeiro de Deus, o Messias: «Eis o Cordeiro de Deus – diz –, aquele que tira o pecado do mundo» (v. 29), e acrescenta: «Eu vim batizar em água, para que Ele fosse manifestado a Israel» (v. 31).
João reconhece em Jesus o Salvador, proclama a Sua divindade e a Sua missão ao povo de Israel e depois se afasta, esgotada a sua tarefa, como atestam estas suas palavras: «Aquele que vem depois de mim é um homem que me ultrapassa, porque existia antes de mim» (v. 30).
O Batista é um homem muito amado pelas multidões, a ponto de ser temido pelas autoridades de Jerusalém (cf. Jo 1,19). Teria sido fácil para ele aproveitar essa fama, mas ele não cede em nada à tentação do sucesso e da popularidade. Diante de Jesus, reconhece a sua pequenez e abre espaço para a grandeza D’Ele. Sabe que foi enviado para preparar o caminho do Senhor (Mc 1,3; cf. Is 40,3), e quando o Senhor vem, com alegria e humildade reconhece a Sua presença e se retira da cena.
Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho! De fato, à aprovação, ao consenso, à visibilidade é dada frequentemente uma importância excessiva, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, de causar sofrimentos e divisões, de produzir estilos de vida e de relacionamento efémeros, desapontadores e aprisionadores. Na realidade, não precisamos desses “substitutos de felicidade”. A nossa alegria e a nossa grandeza não se fundam em ilusões passageiras de sucesso e de fama, mas no saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus.
É o amor de que Jesus nos fala: o de um Deus que ainda hoje vem entre nós não para nos surpreender com efeitos especiais, mas para partilhar a nossa fadiga e assumir os nossos pesos, revelando-nos quem realmente somos e quanto valemos aos Seus olhos.
Caríssimos, não nos deixemos encontrar distraídos na Sua passagem. Não desperdicemos tempo e energias perseguindo o que é apenas aparência. Aprendamos com João Batista a manter o espírito vigilante, amando as coisas simples e as palavras sinceras, vivendo com sobriedade e profundidade de mente e de coração, contentando-nos com o necessário e encontrando, se possível, todos os dias um momento especial para parar em silêncio para orar, refletir, escutar, enfim, para “fazer deserto”, a fim de encontrar o Senhor e estar com Ele.
Que a Virgem Maria, modelo de simplicidade, sabedoria e humildade, nos ajude nisto.
Com certeza, Vivian. Aqui está a tradução completa para o português da mensagem do Papa Leão XIV após o Angelus:
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Após o Angelus
Caros irmãos e irmãs,
Inicia hoje a *Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos*. As origens desta iniciativa remontam a dois séculos atrás, e o Papa Leão XIII a incentivou muito. Exatamente há cem anos, pela primeira vez, foram publicados os “Sugestões para a Oitava de Oração pela Unidade dos Cristãos”. O tema deste ano é extraído da Carta aos Efésios: *«Um só corpo e um só Espírito, como uma só é a esperança à qual fostes chamados» (Ef 4,4)*. As orações e reflexões foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado pelo Departamento para as Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Armênia. Convido, portanto, todas as comunidades católicas a reforçarem, nestes dias, a oração pela plena unidade visível de todos os cristãos.
Este nosso empenho pela unidade deve acompanhar-se coerentemente com aquele pela paz e pela justiça no mundo. Hoje desejo recordar em particular as grandes dificuldades que sofre a população do leste da República Democrática do Congo, forçada a fugir do seu País, especialmente para o Burundi, por causa da violência e a enfrentar uma grave crise humanitária. Oremos para que entre as partes em conflito prevaleça sempre o diálogo para a reconciliação e a paz.
Desejo também assegurar a minha oração pelas vítimas das inundações que nos últimos dias atingiram a África meridional.
Dirijo uma calorosa saudação a todos vós, romanos e peregrinos!
Tenho o prazer de saudar o grupo da Piggot School de Wargrave, na Inglaterra, bem como o grupo “Fratres” da comunidade paroquial do Compitese. Saúdo os fiéis de vários Países, as famílias e as associações. Obrigado pela vossa presença e pela vossa oração!
A todos desejo um bom domingo“.
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