por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Norte 2

A Igreja no Brasil inicia neste domingo, 9 de agosto, a ‘Semana Nacional da Família 2026’, que será celebrada até o dia 15 em paróquias, comunidades e dioceses de todo o país. Promovida pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em conjunto com a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), a iniciativa terá como tema “Família, torna-te aquilo que és” e como lema bíblico “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8).

Em sua ’30ª edição, a Semana Nacional da Família’ propõe um caminho de reflexão sobre a vocação, a identidade e a missão da família na Igreja e na sociedade. Mais do que uma programação de encontros, o período pretende ajudar as famílias a redescobrirem sua força, sua responsabilidade e sua capacidade de viver o amor em meio aos desafios do tempo presente.

A temática escolhida está relacionada a dois marcos importantes da caminhada da Igreja, os ’45 anos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio‘, de São João Paulo II, e os ’10 anos da Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia‘, do Papa Francisco.

Os dois documentos continuam oferecendo referências para a ação evangelizadora junto às famílias. Enquanto a ‘Familiaris Consortio’ apresenta a família como comunidade de vida e de amor, chamada a servir à vida, à sociedade e à Igreja, a Amoris Laetitia convida a Igreja a acompanhar as famílias reais, com suas alegrias, fragilidades, crises e esperanças.

O tema “Família, torna-te aquilo que és” não apresenta uma proposta superficial ou apenas comemorativa. Ele convida cada família a olhar para sua própria vocação e a reconhecer o amor como fundamento de sua existência. O verbo “tornar-se” indica um processo. A família não é uma realidade pronta, sem conflitos ou desafios. Ela se constrói diariamente no diálogo, na paciência, no perdão, na fidelidade e no cuidado mútuo.

Em uma sociedade marcada pela fragilidade dos vínculos, pela solidão e pela dificuldade de convivência, a Semana Nacional da Família recorda que o lar pode ser espaço de acolhimento, proteção, educação, oração e transmissão da fé. Ao mesmo tempo, a Igreja reconhece que as famílias enfrentam situações concretas de sofrimento, como dificuldades econômicas, desemprego, enfermidades, conflitos conjugais, violência, adoecimento mental e dificuldades na educação dos filhos.

Por isso, a proposta é que a ação pastoral não idealize as famílias nem as julgue à distância. O caminho indicado é estar próximo, escutar, acompanhar e ajudar cada família a encontrar caminhos de reconciliação, crescimento e esperança.

O lema escolhido para este ano, retirado da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, apresenta uma mensagem de esperança para os lares. “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8), a frase recorda que o amor cristão não se limita a um sentimento passageiro. Ele é uma decisão cotidiana, capaz de atravessar as dificuldades, sustentar os vínculos e abrir possibilidades de recomeço. O amor vivido na família aparece em gestos simples, na escuta, no cuidado com os idosos, na presença junto às crianças, na atenção aos jovens, na solidariedade diante das dificuldades e na disposição para perdoar.

A Semana Nacional da Família convida as comunidades a compreenderem que a família continua sendo uma das maiores riquezas da sociedade e um espaço privilegiado para a experiência de Deus.

Para a Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, a Semana Nacional da Família é uma oportunidade de colocar a família no centro da missão da Igreja e de fortalecer o diálogo com a sociedade. O padre Rodolfo Chagas Pinho, assessor da Comissão, destacou que o período pode contribuir para a construção de pontes entre a Igreja, as famílias e a sociedade civil.

A proposta é reconhecer que a família não deve ser vista apenas como destinatária da evangelização. Ela também é sujeito da missão. É na família que muitas pessoas aprendem a rezar, a perdoar, a servir, a partilhar e a cuidar da vida. Por isso, a Pastoral Familiar não é uma ação isolada. Ela se relaciona com a catequese, a liturgia, a juventude, a iniciação cristã, a pastoral social e os demais serviços da comunidade. Toda a Igreja é chamada a perguntar qual realidade familiar está por trás de cada pessoa que procura a comunidade.

Para ajudar as paróquias e comunidades na realização da Semana, a Comissão Nacional da Pastoral Familiar preparou a 30ª edição do subsídio ‘Hora da Família’.

O material oferece propostas de encontros, momentos de oração, formação e partilha, ajudando os grupos a refletirem sobre a realidade das famílias e a renovarem seu compromisso com a vida e a missão cristã, e a comissão também disponibilizou um kit gráfico para auxiliar as paróquias e dioceses na divulgação das atividades.

A Semana Nacional da Família acontece também no contexto do Dia dos Pais, celebrado neste domingo. A proximidade entre as duas datas favorece uma reflexão sobre a paternidade, a maternidade, os vínculos familiares e a responsabilidade de cuidar da vida. São José, modelo de pai e de cuidador, inspira as famílias a viverem a presença, a responsabilidade, o trabalho, a proteção e a confiança em Deus. Sua história recorda que a família é construída menos por grandes discursos e mais por atitudes concretas de amor e fidelidade.

Ao longo desta semana, as comunidades são convidadas a reunir as famílias, fortalecer a oração e criar espaços de escuta. Também é uma oportunidade para reconhecer as dores que muitas vezes permanecem escondidas dentro dos lares e oferecer apoio a quem enfrenta solidão, conflitos ou dificuldades.

A Semana Nacional da Família não pretende esconder os problemas que atingem os lares. Ao contrário, deseja ajudar a Igreja a olhar para essas situações com realismo, misericórdia e responsabilidade. Em vez de afirmar que a família perdeu seu sentido, a proposta é perguntar onde estão as sementes de amor, cuidado e esperança e como podem ser cultivadas. Em vez de apontar erros, a comunidade cristã é chamada a caminhar junto e discernir os passos possíveis.

O período será uma oportunidade para renovar a compreensão de que a família é uma comunidade viva, chamada a crescer e a recomeçar. Uma família que reza, dialoga, perdoa e cuida transforma a própria casa em uma pequena Igreja doméstica.

Com o tema “Família, torna-te aquilo que és”, a Igreja convida os lares a redescobrirem sua identidade e sua missão. E, sob a promessa de que “o amor jamais acabará”, propõe uma semana de fé, encontro, formação e esperança para que cada família possa reconhecer a presença de Deus em sua caminhada.

Acesse os arquivos aqui https://drive.google.com/drive/folders/1ap2e7Nk1yuZb1ky-lp2dWW2OX2qdAP_a

 

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