
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2 da CNBB
Um notável feito de cooperação cultural resultou no retorno de um valioso manuscrito ao seu lar original. A Biblioteca Apostólica do Vaticano anunciou a aquisição do códice Pal. lat. 851, um volume em papel do início do século XVI que estava catalogado como desaparecido desde 1798.
O manuscrito, que contém cinco Vidas de Santos (incluindo Ciriaco, Gallo, Mauro abade, Goar e Burcardo de Worms) e a fundamental *Historia Langobardorum* de Paulo Diácono, foi recuperado graças à ação rápida da Diretoria da Biblioteca após ser avistado em uma livraria de antiguidades em Viena, a “Inlibris”.
A Jornada de um Códice Palatino
A história do Pal. lat. 851 é um reflexo das turbulências históricas europeias. O códice fazia parte da coleção da Biblioteca Palatina de Heidelberg, que foi doada ao Papa Gregório XV em 1623 por Maximiliano I da Baviera, como agradecimento pelo apoio durante a Guerra dos Trinta Anos.
O manuscrito, que possui 115 folhas e vestígios de sua encadernação de 1556 com o retrato do Eleitor Palatino Ottheinrich, foi identificado como o Pal. lat. 851 através de um meticuloso trabalho de cotejamento de inventários antigos. Anotações e ex libris em suas guardas atestam sua passagem por colecionadores notáveis, como Sir Thomas Phillips, antes de chegar ao mercado moderno.
O Triunfo da Cooperação
A aquisição foi um sucesso cultural e científico, concluído em poucos dias graças à pronta sintonia e profissionalismo entre as partes envolvidas: a Biblioteca Universitária de Heidelberg (Dr. Jochen Apel), a Biblioteca Apostólica do Vaticano (Dom Mauro Mantovani, SDB) e a livraria “Inlibris” (Hugo Wetscherek). O objetivo comum era garantir que o manuscrito voltasse a um local onde estivesse acessível aos estudiosos, especialmente àquele que conserva o fundo ao qual ele pertence.
Esta colaboração entre as instituições alemãs e o Vaticano não é inédita, evidenciando uma longa história de intercâmbio científico que remonta ao século XIX, incluindo projetos de digitalização pioneiros como a Bibliotheca Palatina digital.
Esta recuperação não apenas enriquece o acervo vaticano com um texto raro de hagiografia, mas também reafirma o papel contínuo das bibliotecas como guardiãs da memória humana, servindo à humanidade através do acesso ao conhecimento.
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