
por Dom Paulo Andreolli, SX
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém
Queridos leitores, que alegria partilhar com vocês um dos mais belos e emocionantes momentos da minha vida depois da ordenação episcopal. Há três anos faço parte da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, e no dia 12 janeiro de 2026 conseguimos uma audiência com o Santo Padre para partilhar nossa atuação missionária no Brasil e para ouvir a voz do nosso Pastor, o Papa Leão XIV.
Os membros dessa Comissão são: D. Maurício da Silva Jardim, bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT), D. Esmeraldo Barreto de Farias, arcebispo-bispo emérito da Diocese de Araçuaí (MG), D. Luiz Fernando Lisboa, arcebispo-bispo da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES), e eu, D. Paolo Andreolli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém (PA). Colaboram ainda Pe. Tiago e Ir. Eliane Costa.
Com o coração ardente e emocionado, entramos na sala do Santo Padre, às 12h, depois de uma longa espera. Cada um de nós cumprimentou o Papa e com ele tiramos uma foto. Desde os primeiros momentos ele nos deixou à vontade, sendo atencioso e acolhedor.
Nos sentamos em círculo ao redor de uma mesa. Agradecemos por ter nos acolhido e pela temática da missionariedade e da sinodalidade que ocupou o centro do Consistório por ele convocado, assim como por ter iniciado na última quarta-feira o ciclo de catequese sobre o Concílio Vaticano II.
O Santo Padre disse que decidiu retomar o Vaticano II porque muitos padres, religiosos e leigos até hoje não conhecem ou pelo menos não o acolheram. O Concílio Vaticano II está centrado na Palavra de Deus e com tal fundamento é um válido instrumento para fazer com que a Igreja cresça na missionariedade.
- Mauricio ressaltou como estes primeiros passos do pontificado de Leão XIV estão em sintonia com os trabalhos da nossa Comissão Episcopal, sendo sinal profético, neste tempo marcado por desafios, tais como: formação plural, étnica e cultural; as novas subjetividades, o compromisso com a evangelização decididamente missionária; o reconhecimento das novas identidades religiosas; o empobrecimento e o descaso com a Casa comum; e os desafios no ambiente digital.
Além disso, apresentou brevemente a estrutura da Comissão que é parte constitutiva da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em comunhão com as 12 Comissões episcopais da CNBB. A Comissão Episcopal para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial atua em três frentes: Animação Missionária, Cooperação Intereclesial, e Pastoral dos Brasileiros no Exterior (inclusive, nestes dias em Roma tivemos a graça de celebrar com uma boa representação da comunidade brasileira em Roma).
Cada um dos bispos e assessores, apresentou ao Pontífice as várias publicações da Comissão: Programa Missionário Nacional, o Projeto Igrejas Irmãs, o documento do Conselho Missionário, a experiência missionária dos seminaristas e o Projeto Brasileiros no Exterior.
Durante todo o tempo em que estivemos com Santo Padre, ele nos escutou com muita atenção, manifestando uma profunda comunhão de visão. E aproveitando a oportunidade D. Mauricio convidou-lhe para o próximo CAM 7, que acontecerá em Curitiba, em 2029. D. Luiz convidou para o Intereclesial das CEBs. Assim, seguimos muito esperançosos com a realização destes dois eventos.
A discussão se aprofundou sobre a Igreja sinodal e missionária, pois o Papa destacou que temos que viver a sinodalidade como um importante “instrumento” em vista da missão. Precisamos, disse ele, retomar o documento de Aparecida e assumir o compromisso de sermos “discípulos e missionários”. Manifestou também preocupação em relação aos ministros ordenados exageradamente “sacramentalistas”, no sentido de que ficam “escondidos” atrás de uma Igreja “institucional” e de conservação, quando deveriam ser promotores de uma “Igreja em saída”, preocupada com a evangelização de todos.
Considerando a conjuntura geopolítica, perguntei como esta Comissão pode ajudar no processo de paz no mundo. Ele disse que temos que superar as polarizações, em todos os âmbitos, inclusive no âmbito eclesial e dentro mesmo dos seminários, assim como entre os jovens em geral.
A Comissão Missionária deve animar a Igreja a ser portadora de perdão, de reconciliação e de paz. É de diálogo que o mundo precisa e não de bombas verbais ou de armamentos – destacou o Santo Padre.
- Luiz pediu ao Papa para ajudar a Igreja a não se esquecer das guerras na África e de rezar pela paz neste continente tão martirizado. Ele consentiu e acrescentou que as guerras são alimentadas por grandes poderes que se aproveitam das riquezas que existem nos países, e isso, além de mortes, causa o aumento de milhões de deslocados.
Caríssimos leitores, foram 30 minutos maravilhosos de muita comunhão, escuta, sintonia e de paz entre nós. Senti que o Santo Padre acredita muito em nosso trabalho e estará nos apoiando com suas orações e discursos.
A visita foi concluída com a benção de nosso Papa, que na despedida nos presenteou com um terço. Eu disse a ele que o meu seria oferecido aos meus pais, que neste ano celebrarão 47 anos de matrimônio, e, gentilmente pediu a benção para eles. Fiz a saudação em nome da Igreja de Belém, na pessoa de seu Arcebispo, e também em nome dos Xaverianos, entregando a ele uma novena dos Mártires Xaverianos.
Deus abençoe o Papa Leão XIV e a nossa Igreja. Continuemos juntos na missão. Peçamos ao Senhor que nos dê sabedoria em tudo aquilo que fizermos e desejarmos realizar: sonhos, projetos e vida em missão, para que saibamos viver segundo o amor divino!