
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Regional N2
Sob o pulsar da Amazônia e a inspiração dos Atos dos Apóstolos, a Diocese de Xingu-Altamira recebeu, entre os dias 10 e 12 de julho de 2026, a ’13ª Assembleia Regional do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), que reuniu delegados do Pará e do Amapá para reafirmar uma identidade clara: os leigos não são colaboradores da Igreja, eles ‘são Igreja’.
Com o tema “Cristãos Leigos e Leigas no coração do mundo: uma Igreja em missão, profética, servidora e em comunhão” e o lema *”Eles tinham tudo em comum” (At 2,44), o encontro no Centro de Formação Bethânia foi definido por José Miguel Matos Soares, presidente do Conselho do Laicato Regional Norte 2, como um “verdadeiro Kairós”, um tempo de graça e profunda comunhão.
Para Daisy Santana, presidente do Conselho Diocesano de Bragança e segunda secretária regional, a Assembleia deixou um legado de pertencimento. “A principal marca é a da identidade. O tema nos trouxe esse olhar sensível para a nossa região, para aqueles que lá habitam e que nos dizem com propriedade suas alegrias e dores”, destacou Daisy.
Essa sensibilidade foi traduzida por Daisy em três passos “inegociáveis” para o próximo triênio, a ‘Proximidade’ para ir ao encontro da realidade local, muitas vezes ignorada; ‘Formação Continuada’ para fortalecer a missão leiga com embasamento, e a ‘Ação Concreta’ para um engajamento real diante do que foi visualizado e rezado.
O chamado para o protagonismo laical foi um dos pontos altos nos depoimentos. Maria Rosilene (Rose Aragão) trouxe uma reflexão contundente sobre o encontro com o “Cristo Encarnado” na pobreza do irmão e na falta de justiça. “É no Conselho do Laicato que a gente extrapola a teoria. Precisamos ultrapassar as paredes de nossas igrejas e capelas e viver o Evangelho no meio do povo, na defesa de um mundo mais justo e igualitário”, afirmou.
Essa visão de “Igreja em Saída”, termo caro ao saudoso Papa Francisco, também foi celebrada pela Irmã Teuma Maria Coelho Barbosa, das Franciscanas de Encostados. Com mais de cinco décadas de missão no Xingu, ela viu na Assembleia um fortalecimento da sinodalidade. “É uma evangelização através do povo de Deus… uma Igreja que vai onde o povo está, na periferia das periferias”, celebrou a religiosa.
O bispo referencial para os leigos no Norte 2, Dom Raimundo Possidônio, bispo da Diocese de Bragança, reforçou a fundamentação teológica do encontro. “Os leigos são sujeitos eclesiais. Não são pessoas à parte da Igreja, mas fazem parte dela a partir do batismo e dos carismas para concretizar a missão junto com o ministério ordenado”, explicou o bispo, que também liderou as análises de conjuntura e a apresentação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2026-2032).
O encontro não ficou apenas no campo das ideias. Dividido em eixos temáticos conduzidos por especialistas como Daniel Seidel e Paulo César, o evento debateu a “Pastoral de Conjunto” e o “Trabalho de Base”. Paulo César lembrou uma frase que ecoou entre os delegados, “quem não participa da decisão, dificilmente assume o compromisso de realizá-la”, reforçando a necessidade de processos democráticos e participativos na Igreja.
A 13ª Assembleia também cumpriu seu papel administrativo e eletivo. Roberto Trindade, da Escola de Fé e Cidadania Irmã Dorothy Stang, destacou a importância deste momento para a renovação da coordenação regional e a efetivação das parcerias de formação. “É um momento forte para a Igreja do Xingu e do Regional, por ser a vivência da fé e da organização do laicato”, afirmou.
A nova coordenação e as comissões de Fé e Política, Comunicação, Formação e Juventude assumem o desafio de transformar o planejamento em vida nas bases.
O encerramento, marcado pela Missa de Envio na Catedral de Altamira, selou o compromisso missionário. Em sua mensagem de gratidão, o presidente José Miguel Matos Soares reafirmou que as discussões do encontro servem para “humanizar as estruturas e anunciar a esperança onde quer que estejamos”.
A 13ª Assembleia Regional do CNLB Norte 2 termina não como um ponto final, mas como um novo ponto de partida. Leigos e leigas retornam às suas dioceses com o ardor missionário reacendido, prontos para serem, como pede o Evangelho, sal da terra e luz do mundo na vastidão da Amazônia.
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