
por Dom Pedro José Conti
Bispo Emérito da Diocese de Macapá
De 23 a 26 de fevereiro p.p. tive a alegria de participar do Encontro Nacional dos Bispos Eméritos em Belo Horizonte na Casa Mãe Acolhedora (Instituto de Integração Pessoal). Para mim foi a primeira vez porque me tornei bispo emérito somente um ano atrás. Soube, chegando lá, que fazia anos que o encontro não acontecia, praticamente do tempo do COVID 19. Foi, assim, uma retomada e a participação foi de 30 bispos vindo de vários lugares do Brasil. Quis participar para conhecer a experiência de outros bispos nesta condição de “emeritude” à qual chegamos, de fato, obrigatoriamente ao completar os 75 anos de idade. Não fiquei decepcionado, muito pelo contrário. Fiquei muito feliz de ver irmãos bispos bem avançados na idade, chegando, ou até já tendo passado os 90 anos, ainda com vontade de ser úteis e todos, em geral, colaborando, dentro das suas possibilidade, com os bispos sucessores ou em outras dioceses onde estão morando.
Tenho que agradecer a Comissão Especial para os Bispos Eméritos na pessoa do presidente Dom Francesco Biasin e do assessor pe. Guilherme Maia que nos proporcionaram dias de confraternização, de estudo e de partilha. O primeiro estudo foi sobre o Instrumentum Laboris das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil que será o assunto principal da próxima Assembleia Geral dos bispos do Brasil no mês de abril p.v. O texto nos foi apresentado pelo assessor da CNBB pe. Jean Poul Hansen. Este momento nos ajudou a perceber as urgências da ação pastoral e missionária da nossa Igreja. Também se os títulos dos parágrafos são diferentes, na prática, o documento segue o esquema bem conhecido: começa com o Ver a realidade, para passar ao Julgar, à luz da Palavra de Deus, para chegar aos compromissos do Agir. Acredito que todos tivemos a possibilidade de expressar as nossas opiniões, levantar questões e até sugerir emendas que alguns bispos levarão para a Assembleia Geral da CNBB.
O segundo assunto sobre o qual trabalhamos foi um documento, digamos, um pouco especial, quase um estudo ou um conjunto de recomendações sobre os Bispos Eméritos. Ou seja, refletimos sobre a nossa condição e a melhor forma para continuar a nos sentir ativos, lembrados e, porque não, cuidados. De fato o número dos bispos eméritos é bastante grande e extremamente variadas são as suas situações de vida. Além de um lugar onde morar dignamente e do necessário para a própria manutenção, com o avançar da idade, aumentam também as necessidades a respeito da saúde. O documento, que será enviado aos bispos que tem eméritos nas suas dioceses, deveria servir para lembrar a todo o Povo de Deus daquela Igreja local o valor do serviço que o bispo emérito desenvolveu naquela Diocese, muitas vezes por longos anos totalmente doado àquele povo do qual foi pastor. Em geral o povo lembra com carinho e gratidão o bispo que viu envelhecer sem poupar energias e dispensando sempre atenção até o final do seu mandato. Precisa que também os bispos ordinários na ativa saibam valorizar o seu, ou os seus antecessores eméritos, com os quais ainda podem partilhar esperanças e sonhos. Para muitos bispos eméritos que não tem mais familiares ou não pertencem a Congregações Religiosas, a única família que permanece é mesmo àquela Diocese que conduziram com dedicação e desapego. Lembro, agora, que foi isso mesmo que disse quando cheguei a Macapá e beijei o chão desta terra: “De agora em diante vocês serão a minha família”. Não vamos esquecer, afinal os bispos eméritos são os “avôs” daquela grande e única família que é a nossa Igreja.
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