
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2
Após quatro dias, encerra hoje (5/3), na Chácara Recanto da Amizade, em Breu Branco (PA), o retiro anual da Diocese de Cametá, que teve o bispo da Diocese de Marabá Dom Vital Corbellini como pregador, e como tema ‘Os Três Amores do Sacerdócio’.
O sacerdócio, na sua essência mais pura, não é definido por uma função ou um cargo, mas por um ato de amor reiterado e incondicional. A base teológica para este ministério encontra-se no diálogo pascal entre Jesus Ressuscitado e Pedro no Mar da Galileia. Quando Cristo pergunta três vezes “Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?” (João 21:15), Ele não apenas restaura o apóstolo, mas estabelece o critério fundamental para todo o ministério subsequente, o amor precede a missão.
Os Padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos, compreenderam que este amor não era uma afeição abstrata, mas um compromisso relacional que se desdobra em cinco direções essenciais para a vida do presbítero.
O Amor Primordial: Jesus Cristo
Dom Vital Corbellini relembrou ao clero, que o primeiro e insubstituível amor do sacerdote é por Aquele que o chamou. Este amor é a fonte de toda a sua identidade. Os Padres, como Santo Agostinho, frequentemente meditaram sobre a união mística do sacerdote com Cristo, o Sumo Sacerdote. É deste amor que brota a capacidade de nutrir o Povo de Deus. Sem a intimidade com Jesus, o ministério torna-se mera administração. A conversão contínua ao Evangelho, tema que ecoa nos recentes estudos sinodais, é a renovação diária deste primeiro amor.
O Amor à Cabeça: O Bispo e a Diocese
O pregador frisou que o sacerdote é chamado a viver em comunhão sacramental e filial com o seu Bispo, que é o princípio e fundamento visível da unidade da Igreja particular. Os primeiros escritos cristãos enfatizam a importância da obediência e da comunhão com o sucessor dos Apóstolos, pois é através dele que o presbítero participa plenamente da missão episcopal.
Este amor estende-se à Diocese, que é a porção do Povo de Deus confiada ao cuidado pastoral do Bispo e, por delegação, ao presbítero. É o campo concreto onde a fé se encarna, onde a Palavra se torna serviço e onde a caridade se manifesta nas realidades locais, sejam elas as periferias geográficas ou as novas “periferias existenciais” da cultura digital.
O Amor Fraternal: O Presbitério
A formação sinodal recente enfatiza que o presbítero não se forma isoladamente, mas “no e a partir do Povo de Deus”. Uma parte crucial dessa formação é o amor e a corresponsabilidade com os irmãos presbíteros. Os Padres, como São Cipriano, alertavam contra o isolamento, pois a unidade do presbitério é um sinal profético para a Igreja. O presbítero deve ser um companheiro de caminho, partilhando alegrias e fardos, compreendendo que o ministério é mais forte na fraternidade, explicou Dom Vital.
O Amor Pastoral: O Povo de Deus
O amor final e mais visível é o amor pelo Povo de Deus, reforçou Dom Vital, ao comentar que este amor é a resposta prática ao comando de Cristo “Apacentai as minhas ovelhas”. Como testemunham os Santos Padres, o sacerdote deve ser um pastor que conhece o seu rebanho, que caminha com ele e que se doa por ele. Este amor não é apenas um sentimento, mas uma dedicação ativa à santificação dos fiéis, um compromisso com a justiça e a solidariedade — valores que ressoam fortemente nos movimentos sociais, como o “Grito dos Excluídos” que lhe é caro.
O bispo de Marabá resumiu, que “o sacerdócio é um ciclo virtuoso de amor, a partir do amor a Cristo, manifesta-se a fidelidade ao Bispo e à Igreja local, fortalece-se a comunhão com os irmãos e concretiza-se o serviço amoroso ao Povo de Deus. É a tríade de Pedro amar, apascentar, seguir, que define a jornada do sacerdote no mundo”.
O Bispo da Diocese de Cametá, Dom Ivanildo de Oliveira, destacou a importância do tempo de recolhimento e a valiosa orientação recebida durante o retiro. “Este momento esteve tão favorável que é projetado para se aproximar cada vez mais, gerar essa comunhão maior em torno de Cristo ressuscitado. Tivemos a grata alegria de sermos conduzidos nestes dias pelo Bispo da Diocese de Marabá, que nos ajudou e nos deu horizontes sobre como viver os três amores, amor à Diocese e ao bispo, amor ao Povo de Deus, e amor aos presbíteros. Com isso nós tivemos a grata alegria de meditar os textos da Patrística e dos Santos Padres, para verdadeiramente vermos como um testemunho de fé deixa muita gente”, disse Dom Ivanildo
O Vigário Geral, padre Raimundo Nonato Rodrigues Martins, descreveu o encontro como um “tempo de graça” fundamental para o revigoramento espiritual do clero. “O retiro seguiu o exemplo dos apóstolos que, após o trabalho, buscavam descanso com Jesus. O tempo de recolhimento serviu para o descanso necessário, mas, sobretudo, para a intimidade com Jesus na força do Espírito Santo, com momentos de oração comunitária e celebração da Eucaristia.
Para nós, esse tempo foi um tempo de fato, de muita graça. E nós bendizemos a bondade de Deus por nos permitir, mais uma vez, este momento. Quando chega o retiro, eu costumo dizer, Graças a Deus que chegou o tempo do retiro! E a importância dessa reflexão, que foi feita por Dom Vital, é muito particular para cada um de nós, porque nos ajuda a voltar às origens, a voltar ao primeiro amor”, contou padre Nonato.
Em um momento de profunda comunhão e gratidão, padre Rodrigo, vigário paroquial da Paróquia de Cristo Rei, em Pacajá, compartilhou as lições centrais do encontro vital para a alma sacerdotal. A reflexão enfatiza que, antes de serem homens de ação, os presbíteros são “homens da presença”, cuja missão floresce no silêncio e na intimidade com Deus. “A base deste retiro, conforme destacado na fala, reside na tradição patrística. Desde os primeiros séculos, os Padres da Igreja nos ensinaram que o pastor que não se recolhe, ele se dispersa. Podemos bendizer também o sacerdote que não contempla e começa a se esvaziar”, afirmou padre Rodrigo, ao falar que o retiro é, portanto, um ato de resistência contra a dispersão, um retorno às fontes da vocação.
O vigário falou sobre a intimidade com Cristo, na condição para o dar “a reflexão foi guiada pela lição de Santo Agostinho, lembrada pelo Bispo Dom Vital, que disse que ninguém pode dar aquilo que não possui. Isso estabelece que o ministério fecundo não é teórico, mas existencial. o que possuímos só nasce da intimidade com Cristo. É por isso que o retiro é justamente um retorno às nossas fontes”.
Em tom de gratidão, o líder diocesano concluiu que o tempo investido foi extremamente produtivo para a vida espiritual do ministério. “Foi agradável este tempo, foi muito importante para a nossa vida e agradecemos a Deus que nos ajudou a viver e fazer considerado nosso obrigado, pedindo ao Senhor a graça de viver [a missão]. Não estou a falar mais da oração, do jejum e da caridade. E a nossa gratidão a Dom Vital pelos conhecimentos compartilhados”.
O retiro reafirma o compromisso do clero de Cametá em viver uma pastoral baseada na comunhão e na fidelidade às raízes da fé, preparando-se para os desafios da Quaresma e do ano litúrgico.
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