por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

Em sua mensagem para o ’60º Dia Mundial das Comunicações Sociais’, apresentada no início deste ano (24/1), o Papa Leão XIV lançou um apelo urgente, a humanidade atravessa uma mudança de época comparável à Revolução Industrial, e a resposta para não sermos subjugados pela técnica reside na educação. O Pontífice defende a introdução imediata da “alfabetização em inteligência artificial (IA)” nos sistemas educativos e nas iniciativas de aprendizagem ao longo da vida.

Para o Papa, a alfabetização midiática e digital não é apenas uma competência técnica, mas um ato de cidadania e fé. “Como católicos, podemos e devemos contribuir para esse esforço”, afirma o texto, destacando que o objetivo central é o desenvolvimento do pensamento crítico e da “liberdade de espírito”, especialmente entre os jovens.

Um dos pontos centrais da mensagem é a preocupação com os que ficam à margem do progresso. Leão XIV ressalta que essa nova educação deve alcançar adultos mais velhos e grupos socialmente marginalizados. O Papa observa que muitos se sentem “excluídos e impotentes” diante da rapidez das mudanças, e que a Igreja deve atuar para que a tecnologia não se torne mais uma barreira de segregação.

O Pontífice faz um alerta filosófico e prático sobre a “antropomorfização” da tecnologia, a tendência humana de atribuir características e sentimentos humanos a sistemas de IA. A orientação é clara, tratar a IA estritamente como ferramenta.

A mensagem reforça a necessidade de validação externa das fontes, alertando que os sistemas podem ser imprecisos. Além disso, o Papa toca em uma ferida aberta da era digital, a proteção da imagem, do rosto e da voz. Ele condena o uso dessas tecnologias para a criação de *deepfakes*, fraudes e *cyberbullying*, práticas que violam a intimidade sem consentimento.

Traçando um paralelo histórico, o Papa explica que, assim como a alfabetização básica foi necessária para responder à Revolução Industrial, hoje precisamos compreender como os algoritmos moldam nossa percepção da realidade e quais são os interesses econômicos por trás dos *feeds*.

“Precisamos de rostos e vozes para falar novamente em nome das pessoas”, conclui Leão XIV, lembrando que o dom da comunicação é a verdade mais profunda da humanidade. Para o Pontífice, nenhuma inovação tecnológica terá valor se não estiver orientada para o bem comum e para a valorização do ser humano.

Leia a mensagem na integra abaixo.

60º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026 — Mensagem do Papa Leão XIV
(24 de janeiro de 2026, Memória de São Francisco de Sales)

Por esta razão, torna-se cada vez mais urgente introduzir a alfabetização em meios de comunicação, em informação e em IA nos sistemas educativos, em todos os níveis, como já promovido por algumas instituições civis. Como católicos, podemos e devemos contribuir para esse esforço, para que as pessoas — especialmente os jovens — adquiram competências de pensamento crítico e cresçam na liberdade de espírito. Esta alfabetização deve igualmente ser integrada em iniciativas mais amplas de aprendizagem ao longo da vida, alcançando também os adultos mais velhos e os membros da sociedade marginalizados, que frequentemente se sentem excluídos e impotentes diante da rápida mudança tecnológica.

A alfabetização em meios de comunicação, informação e IA ajudará as pessoas a evitar tendências de “antropomorfização” dos sistemas de IA, e a tratá-los sempre como ferramentas, empregando validação externa das fontes fornecidas pelos sistemas de IA — que podem ser imprecisos ou incorretos. Essa alfabetização também permitirá uma melhor proteção da privacidade e dos dados, aumentando a consciência sobre parâmetros de segurança e opções de reclamação. É importante educar-nos a nós mesmos e aos outros sobre como usar a IA de forma intencional; nesse contexto, é necessário proteger a própria imagem (fotos e áudio), o rosto e a voz, para impedir que sejam usados na criação de conteúdos e comportamentos prejudiciais, como fraude digital, cyberbullying e deepfakes, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento.

Assim como a revolução industrial exigiu a alfabetização básica para que as pessoas pudessem responder às novidades que surgiam, também a revolução digital requer alfabetização digital (junto com educação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam nossa percepção da realidade, como funcionam os vieses da IA, quais mecanismos determinam a presença de certos conteúdos nos nossos feeds, e quais são os princípios econômicos e modelos da economia da IA e como podem vir a mudar.

Precisamos de rostos e vozes para falar novamente em nome das pessoas. Precisamos valorizar o dom da comunicação como a verdade mais profunda da humanidade, para a qual também toda inovação tecnológica deve ser orientada.

Ao apresentar estas reflexões, agradeço a todos os que trabalham para alcançar os objetivos delineados acima, e abençoo cordialmente todos os que trabalham pelo bem comum por meio dos meios de comunicação.

Vaticano, em 24 de janeiro de 2026, Memória de São Francisco de Sales.

LEO PP. XIV

[Fonte] 60th World Communications Day 2026, page 01

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