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por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No coração do Vaticano, onde o tempo parece guardado em estantes infinitas, um encontro inusitado entre o passado e o presente aconteceu nesta quarta-feira, 13 de maio. A Biblioteca Vaticana, em uma parceria que já se torna tradição com a Fundação Colnaghi, abriu as portas para a exposição ‘Nuntius’, palavra latina para “mensageiro” e, com ela, trouxe à tona uma reflexão necessária. Como a arte pode ser a linguagem mais eficaz da diplomacia?

A iniciativa, que marca a segunda fase de um projeto de renovação dos espaços da Biblioteca, não é apenas um evento para especialistas ou um jantar de gala para apoiadores. É, na verdade, uma celebração do “presente”, não do tempo atual, mas do objeto oferecido como gesto de paz e aliança ao longo dos séculos.

Por séculos, antes de existirem os rápidos canais digitais de comunicação, eram os quadros, manuscritos e relíquias que viajavam entre reinos para selar acordos. A exposição ‘Nuntius’ coloca lado a lado o acervo histórico do Papa e obras selecionadas da Colnaghi, criando um diálogo visual fascinante. Como bem definiu Monsenhor Giovanni Cesare Pagazzi, arquivista da Santa Igreja, vivemos em um mundo onde construir pontes entre culturas não é apenas uma escolha, mas uma “urgência”.

O que a mostra propõe é olhar para além do valor material dessas peças. Cada objeto exposto carrega o que os organizadores chamam de ‘muta eloquenza’ (eloquência muda). É a ideia de que a arte diz o que a política, muitas vezes, não consegue expressar.

Para além da beleza das obras, o projeto tem um lado prático fundamental, a renovação física dos arquivos vaticanos. Graças ao apoio da Fundação Colnaghi, espaços históricos estão sendo modernizados para garantir que o patrimônio da humanidade sobreviva às próximas gerações.

Candida Lodovica Chi, diretora da Fundação, destacou que o ato de presentear na diplomacia vai além do “soft power” ou de estratégias econômicas. Trata-se de uma “reivindicação da verdade” ou ‘alétheia’, no termo filosófico, onde a identidade cultural de um povo é preservada e respeitada no encontro com o outro.

Em tempos de diálogos escassos, ‘Nuntius’ lembra que, às vezes, um gesto de beleza pode ser o mensageiro mais poderoso para a paz.

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