
Praça de São Pedro / Natal 2025 (Vatican News)
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional CNBB Norte 2
O coração do Vaticano já se prepara para pulsar no ritmo do Advento. O Governadorado do Estado da Cidade do Vaticano anunciou os detalhes das celebrações de Natal de 2026, trazendo para a Praça São Pedro uma rica tapeçaria de fé, tradição e, acima de tudo, um profundo convite à inclusão. Este ano, o tradicional Presépio e a Árvore de Natal não terá apenas ornamentos, mas uma narrativa viva que une as montanhas de Abruzzo, as florestas da Basilicata e o mar da Toscana em um único abraço de fraternidade.
O Presépio que adornará a Praça São Pedro em 2026 é um presente da Arquidiocese de Chieti-Vasto. Fruto de uma colaboração emocionante que envolve a Associação Amigos do Presépio de Atessa, a Livre Confraria dos Artistas e, em um gesto de profunda humanidade, o Centro de Educação Carcerária Santos Pedro e Paulo de Vasto, a obra é um itinerário espiritual pelas raízes da terra italiana.
A cenografia nos transporta para a vida rural de Abruzzo, com os “Pagliarelli” ou “Pinciare”, habitações simples feitas de terra e palha. Essas construções rústicas, que acolhiam o essencial para a vida dos camponeses, tornam-se agora o cenário para o nascimento do Salvador, lembrando-nos que Deus escolhe a simplicidade para se manifestar ao mundo.
Entre as figuras em terracota vestidas com trajes típicos e peles de ovelha, um elemento em particular promete tocar o coração dos peregrinos, a presença de uma ‘ovelha negra’ no presépio.
Em uma interpretação teológica belíssima e provocadora, a ovelha negra aqui perde qualquer conotação negativa de “azar”. Ela surge como a “predileta da divina misericórdia”. Representa a humanidade perdida, o pecador que Cristo incansavelmente busca, e a fragilidade que necessita de maior cuidado. É o sinal visível de que no Natal de Jesus ninguém, absolutamente ninguém, está excluído da alegria da salvação. Para os que acompanhamos a realidade da ‘querida Amazônia’ e tantas “periferias” geográficas e existenciais, esse símbolo ressoa como um bálsamo de esperança.
O conjunto arquitetônico do presépio é encimado pela Migdal Eder, a bíblica “Torre do Rebanho”. Segundo as Escrituras e a tradição, este é o lugar exato onde o Messias seria revelado pela primeira vez. Sob o olhar de um anjo que anuncia a Glória do Verbo, o presépio nos convida à vigilância e à contemplação.
Ao lado desta representação, erguer-se-á um majestoso abeto branco de 25 metros de altura. A árvore, símbolo da vida que atravessa o inverno, virá das florestas de Cugno dell’Acero, no Parque Nacional do Pollino (Potenza), trazendo consigo o perfume das montanhas e a força da criação.
Enquanto a Praça celebra a terra e a montanha, a Sala Paulo VI acolherá um presépio com sabor de mar, doado pela Fundação Carnevale de Viareggio. Nesta versão, a Natividade é ambientada no contexto marítimo da Toscana.
Neste contexto, a figura de São José ganha um destaque especial, sendo apresentado como o “guardião da fragilidade e da luz”. Os Reis Magos, por sua vez, são reinterpretados como pescadores que trazem presentes do mar, simbolizando a comunidade, o acolhimento e a abundância que nascem do encontro com o Menino Jesus.
Ao unir detentos, artistas, camponeses e pescadores na elaboração desses símbolos, o Vaticano nos recorda que o Natal é a festa da unidade. Para as nossas Dioceses e Prelazias, e para todos os que trabalham na comunicação da Igreja, fica a mensagem de que cada elemento, seja uma ovelha negra ou uma torre de vigia, é um convite para reconhecer a presença de Deus nas próprias tradições e na vida dos mais vulneráveis.
Que em 2026, ao voltar os olhares para estas imagens em Roma, possa-se renovar o compromisso de ser, como São José, guardiões da luz nas realidades onde a esperança mais precisa brilhar.
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