por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No coração da maior floresta tropical do mundo, onde os rios funcionam como estradas e a fé se manifesta em procissões fluviais e comunidades de base, a Igreja se prepara para um novo e vigoroso passo. Os bispos do Regional Norte 2 da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende os estados do Pará e do Amapá, já olham para o horizonte de 2027 e 2028. Não se trata apenas de cumprir uma agenda administrativa, mas de viver o que o Papa Francisco e agora o Papa Leão XIV chamam de “uma nova primavera da sinodalidade”.

O documento publicado pela Secretaria Geral do Sínodo, intitulado “Rumo às Assembleias 2027-2028”, é o mapa desse caminho. Ele não impõe novas tarefas, mas convida a Igreja a olhar para dentro, reconhecer os frutos do que já foi plantado e, com a alegria dos discípulos que retornam da missão, partilhar as “maravilhas operadas pelo Senhor”.

O processo que agora se inicia é a terceira fase de um caminho que começou em 2021. Depois da escuta e da celebração, inicia agora a fase de ‘implementação’. O texto de base inspira-se na narrativa bíblica de Lucas, onde os setenta e dois discípulos retornam cheios de alegria para partilhar suas experiências.

Para o Regional Norte 2, isso significa que as Assembleias de 2027-2028 não serão verificações técnicas, mas “ocasiões de discernimento, de corresponsabilidade e de ação de graças”. O objetivo é simples, porém exigente, responder à pergunta “Qual rosto concreto de Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão surgindo em sua comunidade?”. É um convite para que o Povo de Deus no Pará e no Amapá, com especial atenção às mulheres, aos jovens e aos que vivem nas margens, ajude a recalibrar as prioridades da Igreja universal.

A primeira etapa deste itinerário acontece no “chão da fábrica”, ou melhor, no chão das nossas paróquias e dioceses. O verbo é ‘Fazer Memória’. Mas não se trata de uma nostalgia do passado. É um ato eclesial de recolher e reconhecer o que está acontecendo agora, o que está germinando?

Nesta fase, cada Diocese e Prelazia do Regional Norte 2 será chamada a uma releitura espiritual de sua caminhada. O foco será narrativo. As comunidades vão contar suas experiências de novas formas de presença missionária, de práticas de corresponsabilidade e de processos de decisão que se tornaram mais inclusivos. O fruto desta etapa, será um “Relatório Narrativo”, que não é um balanço frio, mas uma colcha de retalhos das vivências locais.

O gesto concreto será a a redação de uma “Carta às outras Igrejas”, onde cada diocese oferece seus aprendizados como um dom, permitindo que a experiência de uma paróquia no interior do Amapá, por exemplo, ilumine uma comunidade em outro canto do mundo.

Uma vez recolhidas as histórias locais, entra em cena a etapa de ‘Interpretar’. Aqui, o protagonismo passa para as Conferências Episcopais (Nacional e Regional). Para os nossos bispos do Pará e Amapá, o desafio é colocar os frutos partilhados em relação uns com os outros e deixar emergir o seu significado eclesial mais amplo.

Nesta fase, a análise torna-se teológico-pastoral. Através de fichas temáticas, serão discutidos pontos fundamentais como a valorização dos ministérios leigos, a transparência e a prestação de contas, e a renovação missionária das paróquias. Na Amazônia, essa interpretação ganha um contorno especial pela proximidade com a CEAMA (Conferência Eclesial da Amazônia), que é convidada a desenvolver um percurso próprio. É o momento de ver como a sinodalidade está transformando as relações ecumênicas, inter-religiosas e o cuidado com a “Casa Comum”.

O terceiro movimento será o de ‘Orientar’. Saímos do âmbito regional para o continental. Para o Brasil e toda a América Latina, esta etapa configura-se como um momento de abrir novas perspectivas. Após a releitura e a interpretação, as Igrejas do continente reconhecerão conjuntamente os passos que o Espírito Santo as convida a dar.

Os continentes não são apenas divisões geográficas, mas contextos humanos marcados por dores e alegrias comuns, migrações, tensões políticas e mudanças culturais. Na realidade amazônica, “orientar” significa discernir prioridades que habitem o mundo contemporâneo com uma voz profética. O resultado será um “Relatório de Perspectiva”, um documento que servirá de base para o trabalho da Igreja em escala global, garantindo que o rosto da nossa gente esteja presente nas diretrizes do Vaticano.

O ápice de todo este percurso será a ‘Assembleia Eclesial de toda a Igreja’, em outubro de 2028, no Vaticano. O verbo final é ‘Celebrar’. Mais do que um ponto de chegada, será o momento de reconduzir todo o caminho percorrido à unidade, sob a responsabilidade do Santo Padre.

Esta etapa será profundamente litúrgica e celebrativa. Não será apenas um evento em Roma, cada Igreja local, do Oiapoque ao Chuí, será convidada a acompanhar o evento com momentos análogos de oração e partilha. Haverá grupos de discernimento que aprofundarão os núcleos temáticos que surgiram ao longo de todo o processo, unindo o que foi vivido na base com a visão teológica da Igreja universal.

Ao final de 2028, todo o material colhido, as histórias das paróquias do Pará, as interpretações dos bispos do Norte 2 e as orientações continentais, será apresentado ao Santo Padre Leão XIV. É a entrega final de um processo que não termina ali, mas se relança como estilo de vida.

Cronograma de Entrega:
Até 30 de junho de 2027: Contribuições das Dioceses (Fase 1).
Até 31 de dezembro de 2027: Contribuições das Conferências Nacionais/Regionais (Fase 2).
Até 30 de abril de 2028: Contribuições Continentais (Fase 3).
Outubro de 2028: Grande Assembleia Eclesial no Vaticano (Fase 4).

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