por Vívian Marler / Assessora Comunicação CNBB Regional Norte 2

Encerrou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, na Casa Dom Luciano (CNBB), em Brasília, o ‘Encontro Nacional de Bispos Referenciais e Assessores Eclesiásticos da Pastoral Familiar’. Iniciado na última segunda-feira, o evento foi um marco de comunhão e renovação para aqueles que guiam o serviço de evangelização das famílias em todo o Brasil.

Sob o olhar atento dos pastores e assessores diocesanos, o encontro não foi apenas uma reunião administrativa, mas um profundo momento de formação e escuta. O objetivo central foi alinhar as diretrizes da Pastoral Familiar aos novos desafios enfrentados pela sociedade contemporânea, reforçando a importância da família como “Igreja Doméstica” e núcleo vital para a construção de uma cultura da paz.

Durante os três dias de atividades, os bispos referenciais dos 19 regionais da CNBB mergulharam em temas cruciais, como o acompanhamento de casais em situações complexas, a iniciação à vida cristã na família e a preparação para o matrimônio. A tônica das discussões seguiu o apelo constante do magistério: ser uma Igreja em saída, que acolhe, acompanha e integra a todos com misericórdia.

Convidado para assessorar o Encontro Nacional em Brasília, o padre Jonas Emery destacou a importância de revisitar dois documentos fundamentais do pós-Vaticano II a ‘Exortação Familiaris Consortio’ (45 anos) e a ‘Amoris Laetitia’ (10 anos). Para ele, essa retomada é essencial para traçar os caminhos da Igreja no mundo inteiro. A proposta é fazer com que a família se torne aquilo que ela é: uma Igreja Doméstica”, pontuou o sacerdote, citando o célebre apelo de São João Paulo II.

Segundo padre Jonas, a integração entre a identidade da família e o cuidado pastoral é o coração do encontro “Enquanto a Familiaris Consortio nos recorda nossa essência, a Amoris Laetitia nos convida ao acompanhamento e ao discernimento para integrar situações complexas. Nosso objetivo aqui é ajudar as comunidades conjugais a redescobrirem o amor, que é o centro do matrimônio e da vida familiar”, disse o assessor.

A troca de experiências entre os regionais foi um dos pontos altos. Enquanto o Norte compartilha seus desafios de distâncias e evangelização nas águas, o Sul e o Sudeste trazem as questões da urbanidade e do secularismo. Essa “colcha de retalhos” da fé brasileira demonstrou a força de uma Pastoral que, embora diversa, fala uma única língua, a do amor e da defesa da vida.

Representando o Regional Norte 2 da CNBB, Dom João Muniz, bispo da Diocese de Xingu Altamira, avaliou de forma positiva o Encontro Nacional encerrado em Brasília. O bispo destacou que o aprofundamento no Magistério da Igreja sobre o matrimônio e a família é essencial para quem exerce o ministério do acompanhamento.

Segundo Dom João, o encontro proporcionou um sólido embasamento teórico e prático. “Tivemos muitas informações sobre os documentos importantes para a Igreja, o que é fundamental para nós. Ao retornarmos para nossas dioceses e prelazias, levamos uma bagagem maior para lidar com as realidades complexas que as famílias enfrentam atualmente”.

Outro ponto enfatizado pelo bispo foi a riqueza da partilha entre os diversos regionais do Brasil. Dom João observou que essa convivência permite perceber que as dificuldades não são isoladas e que a união de esforços gera uma condição melhor para auxiliar as comunidades conjugais. “A visão do todo nos dá mais força e condições de superar os obstáculos em prol das famílias”, concluiu o bispo referencial.

O encontro também deu um destaque especial aos Assessores Eclesiásticos. O papel desses sacerdotes é fundamental para dar suporte espiritual e doutrinário aos leigos que estão na linha de frente da Pastoral. O encontro reafirmou que a missão da Pastoral Familiar é, acima de tudo, um caminho de santidade compartilhado entre clero e leigos.

Com o encerramento das atividades, os bispos e assessores, continuam em Brasilia, e participam da ’50ª Assembleia Comissão Nacional da Pastoral Familiar’ que acontece de amanhã, dia 3, até o proximo domingo. Mas ao retornarem às suas dioceses irão com o compromisso de multiplicar os frutos deste encontro. As sementes plantadas na Casa Dom Luciano agora devem florescer nas paróquias e comunidades de todo o país, preparando o terreno para os próximos grandes eventos da Igreja e fortalecendo os laços que fazem de cada família um laboratório vivo de ecologia integral.

O evento se despediu com uma celebração eucarística, onde o sentimento de gratidão e a certeza de que a família é a “esperança para o mundo” transbordaram em oração e fraternidade.

 

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