
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação do Regional Norte 2
Neste Domingo da Alegria (15/3) , a Praça São Pedro foi palco de uma mensagem de dupla face: uma profunda meditação sobre a luz da fé e um clamor apaixonado e direto pela cessação da violência que assola o Oriente Médio. A reflexão, centrada na cura do cego de nascença narrada por João, serviu como ponte para o apelo papal por paz e diálogo.
### A Luz Contra a Cegueira da Alma
O Evangelho deste quarto domingo de Quaresma apresentou o mistério da salvação: Deus enviou seu Filho como “luz do mundo” para abrir os olhos daqueles que, como toda a humanidade, caminhavam na escuridão. O Papa destacou que a fé cristã não é um “salto no escuro” ou uma renúncia ao pensar. Pelo contrário, é um processo onde, ao tocar em Cristo, os olhos se abrem.
“A fé não é um ato cego, uma abdicação da razão,” ressaltou a reflexão, “mas sim uma participação no modo de ver de Jesus.” Essa visão renovada exige que os fiéis abram os olhos, sobretudo, para as “sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.”
### O Grito por Paz no Líbano e no Oriente Médio
A transição do plano espiritual para o concreto foi imediata e pungente no momento das saudações. Com a voz carregada de preocupação, o Santo Padre dirigiu-se aos responsáveis pelo conflito que há duas semanas devasta o Oriente Médio, onde milhares de inocentes foram mortos e forçados a fugir de suas casas, atingindo inclusive hospitais e escolas.
“Cessar-fogo! Que se reabram os caminhos do diálogo!”, bradou o Papa, dirigindo-se aos líderes do conflito. Ele enfatizou que a violência, por mais justificada que pareça, jamais será o caminho para a justiça, estabilidade e a paz que os povos tanto anseiam.
Particularmente sensível à crise que se desenrola no Líbano, o Papa expressou o desejo de que caminhos de diálogo possam apoiar as autoridades locais na busca por soluções duradouras para o bem comum de todos os libaneses.
### Comunidade e Preparação para o Futuro
Em meio às preocupações globais, o Papa reservou um espaço de acolhimento caloroso para os presentes na Praça, saudando grupos de fiéis vindos da Espanha e da Itália. Com especial alegria, ele recebeu os jovens de diversas dioceses que se preparam para receber o Sacramento da Confirmação.
Este encontro com os jovens, que se preparam para receber a força do Espírito Santo, ecoa a mensagem teológica da manhã: a unção que ilumina. A Igreja, ao abrir os olhos para a dor do mundo, confia a nova geração a missão de levar essa luz, com simplicidade e coragem, para construir a paz que foi tão veementemente solicitada.
Leia o discurso do Papa Leão XIV, na integra, abaixo
ANGELUS
“Caros irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste quarto domingo da Quaresma narra a cura de um cego de nascença (cf. Jo 9,1-41). Através da simbologia deste episódio, o evangelista João fala-nos do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão, enquanto a humanidade caminhava nas trevas (cf. Is 9,1), Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.
Os profetas haviam anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos (cf. Is 29,18; 35,5; Sl 146,8). O próprio Jesus credita a sua missão mostrando que «os cegos recuperam a vista» (Mt 11,4); e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12). De fato, podemos dizer que todos nós somos “cegos de nascença”, pois sozinhos não conseguimos ver em profundidade o mistério da vida. Por isso Deus se fez carne em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós mesmos, os outros e Deus na verdade.
É marcante o fato de que, ao longo dos séculos, se difundiu a opinião, presente ainda hoje, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia a pensar, de modo que ter fé significaria crer “cegamente”. O Evangelho, no entanto, nos diz que ao contato com Cristo os olhos se abrem, a ponto de as autoridades religiosas perguntarem insistentemente ao cego curado: «Como se abriram os teus olhos?» (Jo 9,10); e ainda: «Como é que ele te abriu os olhos?» (v. 26).
Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo “de olhos abertos”. A fé não é um ato cego, uma abdicação da razão, um acomodar-se em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo. Pelo contrário, a fé nos ajuda a olhar «do ponto de vista de Jesus, com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver» (Enc. Lumen Fidei, 18) e, por isso, nos pede para “abrir os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.
Hoje, em particular, diante dos tantos questionamentos do coração humano e das dramáticas situações de injustiça, de violência e de sofrimento que marcam o nosso tempo, há necessidade de uma fé desperta, atenta e profética, que abra os olhos para as obscuridades do mundo e leve até lá a luz do Evangelho através de um compromisso de paz, de justiça e de solidariedade.
Peçamos à Virgem Maria que interceda por nós, para que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar testemunho d’Ele com simplicidade e coragem.
Após o Angelus
“Caros irmãos e irmãs,
Há duas semanas os povos do Oriente Médio sofrem a atroz violência da guerra. Milhares de pessoas inocentes foram mortas e muitas outras forçadas a abandonar suas casas. Renovo a minha orante proximidade a todos aqueles que perderam seus entes queridos nos ataques que atingiram escolas, hospitais e centros habitados.
A situação no Líbano é motivo de grande preocupação. Anseio por caminhos de diálogo que possam apoiar as Autoridades do País na implementação de soluções duradouras para a grave crise em curso, para o bem comum de todos os libaneses.
Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todas as mulheres e homens de boa vontade, dirijo-me aos responsáveis por este conflito: cessar-fogo! Que se reabram os caminhos do diálogo! A violência jamais poderá levar à justiça, à estabilidade e à paz que os povos esperam.
Dou as boas-vindas a todos vocês, presentes hoje na Praça São Pedro!
Saúdo os fiéis vindos de Valência e Barcelona, na Espanha, assim como os de Palermo.
Com alegria acolho alguns grupos de jovens que se preparam para receber o Sacramento da Confirmação: de Berceto, diocese de Parma; de Tuto, diocese de Florença; de Torre Maina e Gorzano, diocese de Modena-Nonantola. Saúdo também os jovens da paróquia de São Gregório Magno em Roma e os jovens de Capriano del Colle e Azzano Mella, diocese de Bréscia.
A todos desejo um bom domingo”,
PAPA LEÃO XIV
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