por Aritana Aguiar / Ascom Arquidiocese de Santarém

A Pastoral Familiar da Arquidiocese de Santarém recebe, nos dias 9 e 10 de abril, uma formação sobre o “Itinerário Vivencial de Acompanhamento Personalizado para o Sacramento do Matrimônio”, documento publicado pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar que orienta uma preparação mais consistente dos noivos.

O encontro acontece no salão paroquial da Igreja de São Francisco de Assis, no bairro Caranazal, pela noite, e conta com a assessoria do casal coordenador da Pastoral Familiar do Regional Norte 2, Antônio José de Carvalho Júnior e Luciana Limão Vieira de Carvalho. O momento reúne agentes da Pastoral Familiar de diversas paróquias para aprofundamento, partilha e renovação da missão junto às famílias.

O Itinerário Vivencial orienta que a preparação dos noivos para o Sacramento do Matrimônio seja realizada de forma personalizada e catecumenal, de modo profundo. A proposta busca favorecer que o futuro casal viva o matrimônio com mais consistência, para que o “sim” no dia da celebração seja consciente.

Mariele de Sousa, da coordenação arquidiocesana da Pastoral Familiar, explica que a proposta busca superar o modelo tradicional baseado apenas em encontros pontuais.

“Estamos tentando sair de uma pastoral tradicional, dos cursos, e passarmos para um momento de mais profundidade com os casais, de modo que a gente trabalhe o testemunho com eles. […] Com certeza, os casais formadores, a princípio, terão dificuldade de passar dessa vivência de horas de formação para um período maior, entre quatr, cinco, até oito meses de acompanhamento dos casais. Mas estamos animados de que todos conseguirão fazer essa experiência, que não é uma experiência nova, já são 10 anos à luz da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, onde nasce a proposta de nós fazermos um acompanhamento personalizado”, salienta.

Apesar do desafio, ela reforça o entusiasmo com a proposta. “Nós estamos animados e acreditamos que será possível, porque já existem experiências positivas no Brasil que mostram que esse caminho dá frutos.”

Preparação mais consciente para o ‘sim’

Inspirado na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, o itinerário propõe um olhar mais atento e profundo sobre a decisão pelo matrimônio.

“A partir do Papa Francisco, somos provocados a termos um olhar mais profundo nessa preparação para o matrimônio. É um sacramento, como todos reforçam, é um sacramento para a vida inteira. […] A partir da nossa formação e acompanhamento direcionado, com certeza, a escolha, o sim, ele é mais consciente.”

Mariele também chama atenção para uma realidade enfrentada em relação ao casamento: decisões tomadas sem o devido discernimento.

“Qual é a outra preocupação que o Papa Francisco tinha? O inchaço dos tribunais eclesiásticos, por quê? Com preparações curtas, muitas vezes, induzem a um ‘sim’ sem fundamento, às vezes, animado pela empolgação. Então, quando você procura o sacramento pela empolgação e vai para a vivência, para o mundo real, você percebe ser ali que você toma consciência de que você não estava preparado para assumir o sacramento. E à medida que, com dias de preparação, maior profundidade, conhecimento um do outro, você vai ter, com certeza, a definição de que realmente é para a vida toda”, reflete.

Um dos principais desafios do novo itinerário é justamente o tempo de preparação, que deixa de ser concentrado em poucos encontros e acontece por vários meses. Esse acompanhamento personalizado será realizado por casais da Pastoral Familiar.

Formação começa antes mesmo do noivado

Luciana Limão, que assessora o encontro juntamente com seu esposo, destaca que o itinerário não se limita ao período do noivado, mas faz parte de um processo mais amplo de formação cristã. Por isso, ressalta a importância da formação para orientar os agentes da Pastoral Familiar que irão acompanhar os noivos, evidenciando a necessidade de uma preparação mais profunda — não apenas para o dia da celebração, mas para a vivência do matrimônio.

“Então, é uma catequese, e essa catequese requer tempo, e não é da agora. Há décadas nossos papas nos pedem, porque a preocupação dos nossos papas é que o maior número de divórcios e crises é no primeiro dois anos [de casamento], quando recebe o sacramento, então quando se prepara bem esse ‘sim’ consciente, está mais preparado para absorver e gerenciar as crises que vêm”.

Sobre o tempo de preparação personalizada, Luciana explica que ele dependerá de cada realidade, seja da paróquia ou da Igreja local, sempre com a aprovação do bispo. A proposta não é engessar um modelo, mas adaptá-lo às necessidades de cada comunidade.

De acordo com a assessora, há diocese do Regional Norte 2 onde esse formato já é aplicado, com duração de até um ano.

“Agora é muito importante que se fale que isso é um processo, e todo processo tem seu tempo a ser realizado, não é uma coisa que já vai ser abrupta. É um processo primeiro de conscientização das pessoas, dos noivos, de uma conversa, de um ‘sim’ para essa preparação mais longa, vamos dizer assim”, esclarece.

Os tradicionais encontros de noivos nos fins de semana, segundo Luciana, não deixam de existir com o Itinerário Vivencial.

“Pode ter aquele encontrão, todos os casais que estão sendo preparados, estão sendo catequizados para receber o sacramento de Matrimônio, fazem o encontrão dos casais, fazem o encontro de famílias, fazem o retiro de famílias, é só a gente usar a nossa criatividade como agente de Pastoral Familiar que tem muita coisa boa para fazer com esses casais de noivos”, explica.

O valor do matrimônio

Luciana também destaca a importância de valorizar o Sacramento do Matrimônio. “Hoje em dia, nesse mundo globalizado, nessa cultura do descartável, do provisório, as coisas estão muito imediatistas. A gente precisa passar, principalmente para os jovens, para as juventudes, que o casamento sim, é atual, pode ser para a vida toda sim, unitivo, procriativo, e não é cafona. A gente precisa passar que é um sacramento de Deus, é o único sacramento que a gente faz diretamente para Cristo. […] É um sacramento santificador, que o marido santifica a sua esposa e a esposa santifica o seu marido. Precisamos dar importância e valorizar esse sacramento”, finaliza.

 

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