
por Marcelo Santos / CJP Arquidiocese de Santarém
Na noite da última quarta-feira (25), o Salão Paroquial da Igreja São João Batista, no bairro Jardim Santarém, foi palco da primeira roda de conversa “Boca da Noite” de 2026, que teve como tema “Nenhuma a Menos: Fé, Justiça e Compromisso na Defesa das Mulheres”.
O encontro reuniu cerca de 25 participantes, com voz ativa, entre membros de duas Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) da paróquia, representantes do Sindicato dos Bancários e integrantes da Comissão Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de Santarém. A atividade promoveu um espaço de diálogo, escuta e reflexão sobre a realidade da violência contra as mulheres, relacionando o tema com a fé cristã e a responsabilidade social da Igreja.
Reflexão sobre violência psicológica e papel da Igreja
A psicóloga Ingrid Sabrina abordou, em sua fala, a gravidade da violência psicológica, destacando que muitas vezes ela é invisibilizada, mas causa impactos profundos na vida das mulheres.
Segundo Ingrid, é fundamental ampliar o olhar da sociedade e também das instituições religiosas sobre essa realidade. “A violência psicológica, muitas vezes, não deixa marcas visíveis, mas destrói a autoestima, a autonomia e a dignidade da mulher. Precisamos aprender a reconhecer esses sinais e não normalizar esse tipo de violência”, afirmou.
A psicóloga também provocou uma reflexão sobre o papel da Igreja ao longo da história e sua capacidade de transformação. “Se a Igreja conseguiu mudar tantas coisas ao longo dos anos, como deixar de celebrar em latim, de costas para os fiéis, ela também pode mudar a ideia de que apenas homens podem comandar a Igreja”, destacou.
Sociedade, leis e mudança de mentalidade
Já a Promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará, Lilian Braga, iniciou sua fala com uma análise crítica sobre a necessidade de leis para garantir direitos básicos. “Se hoje nós precisamos de leis para reger nossas ações, é porque falhamos como sociedade. É porque não fomos capazes de viver harmonicamente, e isso é muito triste”, afirmou.
A promotora também ressaltou a importância de uma mudança cultural, especialmente na forma como os homens enxergam o papel das mulheres na sociedade. “Os homens precisam entender que as mulheres estão e vão continuar estando onde elas quiserem. Vão existir espaços em que haverá mulheres na liderança, e os homens precisam deixar de se sentir constrangidos por serem comandados por uma mulher. Elas não vão deixar de estar ali apenas para satisfazer uma mera vontade”, destacou.
Espaço de fé, diálogo e compromisso
A roda de conversa foi marcada por momentos de partilha e participação ativa do público, reforçando a importância de espaços comunitários para o debate de temas atuais, especialmente aqueles ligados à defesa da vida e da dignidade humana.
As reflexões também foram conduzidas à luz do Evangelho, reforçando o compromisso cristão com a justiça, o respeito e a promoção da dignidade das mulheres.
Durante o encerramento, foi reforçado que a reflexão não pode se limitar ao momento do encontro, mas precisa se transformar em atitude concreta no cotidiano. “Cada um de nós pode ser parte da mudança. Podemos educar para o respeito, acolher quem sofre, denunciar a violência e construir comunidades onde as mulheres sejam valorizadas, respeitadas e protegidas”, foi destacado.
O compromisso coletivo assumido pelos participantes aponta para a construção de uma sociedade onde nenhuma mulher precise viver com medo e onde a dignidade seja plenamente respeitada.
Continuidade do projeto
A roda de conversa “Boca da Noite” seguirá acontecendo toda última quarta-feira de cada mês, sempre em uma paróquia diferente e abordando temáticas atuais relevantes para a sociedade e a Igreja.
A iniciativa é promovida pela Comissão Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de Santarém, em parceria com a CRB – Núcleo Santarém, fortalecendo o compromisso das instituições com a formação crítica, a cidadania e a defesa dos direitos humanos.
Compromisso coletivo
O encontro reforçou a necessidade de união entre sociedade, Igreja e instituições na construção de uma realidade onde as mulheres possam viver com dignidade, respeito e sem violência.
A mensagem final deixada pelos participantes foi clara: “Nenhuma a menos”.
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