por Vívian Marler / Assessora Comunicação CNBB Regional Norte 2

Olhar para as estrelas sempre foi uma forma de oração e de busca pelo conhecimento para os Jesuítas. Agora, esse olhar está prestes a ficar muito mais nítido e acessível para estudantes de universidades jesuítas ao redor do mundo. O Observatório do Vaticano anunciou uma iniciativa que parece saída de um roteiro de ficção científica, mas que é pura realidade, o uso remoto de um dos telescópios mais avançados do planeta.

Localizado no topo do Monte Graham, no Arizona (EUA), o Vatican Advanced Technology Telescope (VATT) acaba de completar um complexo processo de robotização. O sistema, carinhosamente batizado de “Don” (em homenagem ao falecido Don Alstadt), permite que o telescópio seja operado a milhares de quilômetros de distância. Na prática, isso significa que o astrônomo não precisa mais enfrentar as estradas sinuosas e o clima imprevisível da montanha para observar o cosmos; ele pode fazer isso de uma sala de aula ou de um escritório em Castel Gandolfo, na Itália.

Essa ponte entre a terra e o céu ganhou o nome de “Jesuit Observatory Experience” (JOE). O projeto é fruto de uma rede de generosidade, liderada pela benfeitora Kim Bepler, que decidiu homenagear o Rev. Joseph (“Joe”) M. McShane, S.J., presidente emérito da Universidade Fordham.

Mais do que uma homenagem, o programa JOE resolve um problema histórico. Antigamente, muitas universidades jesuítas mantinham seus próprios observatórios no campus. No entanto, com o crescimento das cidades e a poluição luminosa, os céus urbanos ficaram “cegos” para a pesquisa científica. Agora, através da internet, estudantes de instituições que antes não teriam recursos para manter um telescópio de grande porte poderão comandar uma lente de nível mundial no deserto americano.

Uma história curiosa ilustra bem essa mudança, em março, o padre Paul Gabor, vice-diretor do Observatório, acompanhou o professor Robert Duffin, da Universidade Fordham, em uma visita física ao telescópio. O trajeto foi duro, estrada de terra batida, lama e uma nevasca repentina no topo da montanha.

Com a implementação total do sistema “Don”, os futuros alunos serão poupados desse problema. Eles poderão focar no que realmente importa, a ciência e a maravilha da descoberta.

O projeto piloto começa ainda este ano em universidades jesuítas nos Estados Unidos (como Fordham, Creighton e Le Moyne). Se os resultados forem tão brilhantes quanto as estrelas que o VATT captura, o plano é expandir o acesso globalmente.

Ao democratizar o acesso ao VATT, a Igreja não está apenas modernizando suas ferramentas; está reafirmando que a ciência de ponta e a fé podem, e devem, caminhar juntas. Graças ao apoio de doadores e ao esforço de astrônomos como o padre Richard D’Souza e o Irmão Guy Consolmagno, o universo ficou, de repente, um pouco mais próximo de todos nós.

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