credito: Vatican News
por Vívian Marler / Assessora de Comunicação CNBB N2
No horizonte do Domingo do Mar 2026, celebrado em 12 de julho, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral publicou uma mensagem que convida a Igreja e a sociedade a olhar para além das cargas, dos fluxos comerciais e das rotas marítimas. Sob o tema “Para além das mercadorias e do comércio: o rosto humano do mar”, o texto assinado pelo cardeal Michael Czerny, SJ, recorda que, por trás do funcionamento silencioso da economia global, existem rostos, histórias, famílias e sacrifícios de milhares de marítimos, pescadores e trabalhadores portuários em todo o mundo.
A mensagem sublinha que a vida do mundo continua a passar pelos mares, rios, lagos e vias navegáveis do planeta. Em meio às cadeias logísticas que sustentam nações inteiras, estão homens e mulheres que, muitas vezes longe dos seus lares, garantem o transporte de bens essenciais, a segurança alimentar e o sustento de inúmeras comunidades. Para o Dicastério, não se trata apenas de reconhecer uma função técnica, mas de valorizar pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, com dignidade inviolável.
O texto lembra que o mar, historicamente símbolo de encontro entre povos e culturas, tornou-se também palco de tensões, insegurança e medo. Em algumas regiões, conflitos armados, isolamento prolongado e condições de trabalho difíceis agravam o desgaste emocional dos tripulantes. Em vez de serem apenas parte de uma engrenagem comercial, esses trabalhadores precisam ser vistos como pessoas que carregam esperanças, temores, relações e sonhos.
A mensagem chama atenção para uma realidade paradoxal, mesmo em uma era de comunicação digital intensa, muitos marítimos vivem uma solidão profunda. O número reduzido de tripulantes, as licenças em terra cada vez mais curtas e a pressão constante da vida marítima limitam o descanso e os vínculos humanos autênticos. Diante disso, o texto é direto, as pessoas precisam mais do que eficiência. Precisam de presença, escuta, acolhida e amor.
Inspirando-se na primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, a mensagem alerta que os sistemas tecnológicos e econômicos jamais devem reduzir a pessoa humana a “um dado, uma peça de engrenagem ou uma mercadoria”. O mar, nesse sentido, não pode se tornar uma espécie de “Babel moderna”, onde muitos convivem lado a lado, mas permanecem invisíveis e sem voz.
Ao contrário, a vida marítima pode ser testemunho de fraternidade, solidariedade, respeito mútuo e convivência pacífica entre povos de diferentes culturas e religiões. Os oceanos, recorda o texto, não separam; unem. E todos os dias os que trabalham sobre as águas tornam-se pontes entre nações, economias e realidades diversas.
A mensagem também amplia o olhar para a dimensão ambiental. Os mares e oceanos não são apenas rotas comerciais ou fontes de lucro, fazem parte da criação de Deus e devem ser preservados com responsabilidade. O texto denuncia a poluição, a exploração excessiva e a degradação ambiental que afetam diretamente pescadores, comunidades costeiras e todos os que dependem da saúde dos ecossistemas marinhos.
Nesse ponto, o Dicastério reforça que o cuidado com o mar nunca pode ser separado do cuidado com a pessoa humana. Proteger a vida marinha, promover práticas éticas e sustentáveis e defender a dignidade dos trabalhadores marítimos fazem parte de um mesmo compromisso moral com o bem comum.
A mensagem encontra no Evangelho a sua fonte mais profunda. Recordando a cena em que Jesus acalma a tempestade, o texto apresenta Cristo como aquele que não permanece na margem, mas entra no barco com os discípulos e partilha a vulnerabilidade de quem enfrenta águas agitadas. Assim também hoje, afirma o Dicastério, o Senhor acompanha todos os que vivem e trabalham no mar.
A Igreja, chamada a continuar essa missão, não pode permanecer distante da experiência concreta dos trabalhadores marítimos. Por isso, deve “entrar no barco”, acompanhar, escutar, consolar, defender a dignidade humana e tornar-se sinal visível de esperança e de porto seguro nas tempestades da vida.
No encerramento, o cardeal Michael Czerny expressa gratidão a marítimos, pescadores, trabalhadores do setor e suas famílias, reconhecendo que seus sacrifícios sustentam o comércio global, a segurança alimentar e o bem-estar de inúmeras comunidades. Ele também agradece aos capelães, voluntários e agentes pastorais que, com fidelidade, mantêm viva a tradição do Apostolado do Mar, conhecido em muitos lugares como Stella Maris.
Confiando todos à proteção de Maria, Estrela do Mar, a mensagem conclui com um apelo para que o Domingo do Mar renove em todos o compromisso com a proximidade, a solidariedade, o cuidado da criação e a atenção às pessoas que vivem e trabalham sobre as águas.
…….
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, se inscreva no nosso canal do WhatsApp https://whatsapp.com/channel/0029Var4FMQ6RGJE2FtlnS1V e você receberá notícias das Arquidioceses, Dioceses e Prelazias no Pará e Amapá. E aproveite para nos seguir no instagram https://www.instagram.com/cnbbn2/