por Vívian Marler / Assessora Comunicação CNBB Norte 2

O Vaticano deu um passo decisivo nesta terça-feira, 5 de maio, rumo a uma Igreja mais participativa e menos burocrática. A Secretaria Geral do Sínodo publicou os relatórios finais de dois importantes grupos de estudo (nº 7 e nº 9), que trazem propostas que podem mudar a face do catolicismo, desde a forma como um bispo é escolhido até o modo como a Igreja lida com temas sensíveis, como a acolhida de pessoas homossexuais.

O Cardeal Mario Grech, Secretário Geral do Sínodo, resumiu o espírito das mudanças com uma frase marcante. “Não existe pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor”. Para ele, os novos documentos tocam o coração da vida da Igreja ao propor que a escuta seja a base de todas as decisões, especialmente as mais difíceis.

Uma das propostas mais inovadoras do Grupo de Estudo nº 7 é a democratização (dentro da tradição eclesial) do processo de escolha dos bispos. O relatório sugere que cada diocese ative processos periódicos de discernimento sobre suas próprias necessidades.

Na prática, isso significa que, quando uma diocese precisar de um novo bispo, a consulta não ficaria restrita apenas aos altos cargos (Bispo, os Bispos da Província Eclesiástica ou da Conferência Episcopal e o Núncio Apostólico). O documento propõe que o Conselho Pastoral Diocesano seja ouvido e que, sempre que possível, sejam consultados leigos, jovens e, significativamente, os pobres. O objetivo é encontrar candidatos que possuam “competências sinodais”, pessoas capazes de construir comunhão, exercício de diálogo, conhecimento profundo das culturas locais e disponibilidade para se integrar nelas de forma construtiva. Ainda no documento, o Grupo prossegue, entretanto, a reflexão sobre os outros temas que lhe foram confiados, a função judicial do bispo, as visitas ad limina apostolorum e a formação dos bispos.

Já o Grupo de Estudo nº 9 propõe uma “mudança de paradigma” na maneira como a Igreja aborda questões éticas e doutrinárias complexas. A primeira grande mudança é na linguagem, o Vaticano quer parar de usar o termo “questões controversas” e passar a usar “questões emergentes”.

A ideia é que o objetivo da Igreja não deve ser apenas “resolver um problema”, mas construir o bem comum através da transparência e do aprendizado compartilhado. O relatório introduz o “princípio da pastoralidade”, que lembra que o Espírito Santo já atua na pessoa com quem se fala, e por isso a Igreja deve primeiro escutar antes de anunciar.

Para testar esse novo método, o Grupo aplicou o discernimento a dois temas atuais, a experiência de pessoas homossexuais que vivem a fé cristã e a não-violência ativa. Em vez de lançar decretos fechados ou sentenças definitivas, o relatório propõe caminhos de escuta direta de testemunhos reais e perguntas abertas. O foco deixa de ser o julgamento e passa a ser o reconhecimento de como Deus age na história e na vida de cada indivíduo, independentemente de sua condição.

A ferramenta central para todas essas mudanças continua sendo a “Conversa no Espírito”. O método é simples, mas exigente, escutar a si mesmo, escutar a realidade ao redor e reunir os conhecimentos disponíveis. Para o Vaticano, esse é o caminho para que cada comunidade assuma o compromisso de promover o bem, transformando a Igreja em um espaço de acolhida verdadeira e discernimento constante.

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